Vírus chinês pode sofrer mutações. "Vai ser mais perigoso e difícil de combater"

O tratamento do vírus será mais complexo se este vier a sofrer mutações. No entanto, há quem defenda que é prematuro fazer uma declaração de emergência internacional.

O Governo de Pequim admite que a o vírus da nova pneumonia, que já fez nove mortos na China, pode vir a sofrer mutações e propagar-se com mais facilidade. Ouvido pela TSF, o infeciologista Jaime Nina, professor na Universidade Nova de Lisboa e médico do Hospital Egas Moniz, adianta que, se esta mutação ocorrer, o vírus será ainda mais perigoso.

"Foram encontradas três variantes, o que sugere que o vírus tem facilidade em modificar-se e isso pode ser perigoso", refere Jaime Nina. "Torna ainda mais difícil combater o vírus e torna mais difícil o tratamento, nomeadamente se este for feito com anticorpos monoclonais [a partir de uma única célula]. Tal como torna mais difícil obter uma vacina", explica.

O infeciologista aponta, no entanto que, depois de uma primeira experiência em que "saíram muito mal na fotografia", as autoridades chinesas encontram-se agora "a trabalhar bem e a publicar tudo o que sabem".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pode emitir, esta quarta-feira, uma declaração de emergência mundial devido ao surto viral. Jaime Nina considera, apesar de tudo, que ainda é prematuro lançar esse estado de alerta.

"Penso que ainda é muito cedo. O primeiro caso confirmado foi a 21 de dezembro, portanto, [o surto] tem um mês", lembra o infeciologista. "Ainda se sabe muito pouco. Para já, diria que ainda não há dados suficientes para declarar [uma emergência mundial]. É ver como isto evolui."

Jaime Nina recorda que "todos os anos são descobertos vírus novos", pelo que é necessário ter cautela antes de gerar alarmismos. "Se fosse declarada uma emergência de cada vez que é descoberto um vírus novo no ser humano, havia dezenas de emergências todos os anos."

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