Von der Leyen avisa China para não subverter sanções e não apoiar regime russo

Von der Leyen lembrou a China de que, enquanto membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem "uma responsabilidade muito especial" em acabar com as hostilidades.

A presidente da Comissão Europeia avisou, esta sexta-feira, a China para "não interferir" nas sanções da União Europeia (UE) à Rússia nem apoiar militarmente o regime russo na guerra na Ucrânia, numa cimeira que ocorreu num "momento decisivo".

"A cimeira de hoje não foi certamente como habitual [pois] realizou-se numa atmosfera muito sóbria e num contexto da guerra russa na Ucrânia e foi bom termos tido hoje um diálogo muito aberto e muito franco com o Presidente Xi e o primeiro-ministro Li" da China, afirmou Ursula von der Leyen.

Falando em conferência de imprensa em Bruxelas no final da 23.ª Cimeira UE-China realizada por videoconferência, a líder do executivo comunitário acrescentou que "ficou claro que este não é apenas um momento decisivo para o continente [europeu], mas é também um momento decisivo para a relação [da UE] com o resto do mundo", assim como "para a ordem global baseada em regras" pois "nada ficará como era antes da guerra".

Numa altura em que a UE e os parceiros internacionais, num total de mais de 40 países, adotaram sanções pesadas contra o regime russo, a responsável avisou: "Deixámos muito claro que a China deveria, senão apoiar, pelo menos não interferir com as nossas sanções".

"Discutimos isso e também o facto de que nenhum cidadão europeu compreenderia qualquer apoio à capacidade da Rússia para fazer a guerra e, além disso, isso levaria a um grande prejuízo para a reputação da China aqui na Europa", alertou.

Para Ursula von der Leyen, "a China, como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem uma responsabilidade muito especial" em acabar com as hostilidades, dada a proximidade à Rússia.

"E foi isto que discutimos de uma forma muito franca e aberta. Nós, UE, estamos determinados a apoiar a ordem multilateral juntamente com os nossos parceiros internacionais", vincou.

Insistindo nos "riscos de reputação" se Pequim apoiar o regime russo, Ursula von der Leyen lembrou os laços económicos entre o bloco comunitário e o chinês, já que "todos os dias a China e a UE transacionam quase dois mil milhões de euros de bens e serviços".

"E o comércio entre a China e a Rússia é de apenas 330 milhões de euros por dia, portanto um prolongamento da guerra e as perturbações que esta traz à economia mundial não é do interesse de ninguém", exemplificou.

A ideia da UE era usar este alto encontro diplomático para cooperação entre Ocidente e Oriente com vista ao fim da guerra na Ucrânia, exortando ainda a China a não apoiar a Rússia para ultrapassar as sanções financeiras aplicadas pela UE contra o regime russo, como o congelamento de bens.

Pequim tem mantido uma posição ambígua em relação à invasão russa da Ucrânia, já que se recusou a condená-la, mas já tentou distanciar-se da guerra iniciada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao diálogo e ao respeito pela soberania dos outros países.

Esta não foi, assim, uma cimeira dominada pelos laços económicos, como de costume, mas antes pela guerra na Ucrânia, em altura de aceso confronto armado devido à invasão russa do país no final de fevereiro.

A UE exportou para a China bens num total de 223 mil milhões de euros e importou 472 mil milhões de euros mercadorias em 2021.

Os dois blocos foram ainda os maiores parceiros no comércio de mercadorias do mundo, num total de 1,9 mil milhões de euros movimentados por dia.

Do lado da UE, participaram nesta cimeira por videoconferência os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acompanhados pelo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Já a China esteve representada pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e pelo Presidente chinês, Xi Jinping.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE A GUERRA NA UCRÂNIA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de