"É uma pandemia horrível. Temos de saber de onde ela veio"

Líderes de instituições europeias pedem transparência sobre a origem do coronavírus e exigem acesso dos investigadores a "toda a informação".

Na véspera da reunião do G7, a União Europeia defende que a informação sobre a origem da Pandemia deve ser cabalmente investigada, para que a situação "não se repita".

Numa conferência de imprensa, na manhã desta quinta-feira, em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen exigiu que seja autorizado o acesso de especialistas independentes a toda a informação sobre a origem do SARS-CoV-2.

"Está aí uma pandemia horrível. Uma pandemia global. Nós temos de saber de onde ela veio, para que possamos retirar as devidas lições, e para desenvolvermos os instrumentos adequados para nos assegurarmos que isto nunca mais acontecerá", defendeu, num tom particularmente duro, na véspera da reunião, Carbis Bay, Cornoalha, no Reino Unido, com as sete maiores economias do mundo.

Von der Leyen apontou como exemplo "as lições aprendidas durante a crise financeira", que permitiram, "com essa experiência, fazer uma boa análise, desenvolvendo os instrumentos" de modo a que "hoje, com a crise sanitária" a União Europeia "foi mais rápida" a reagir ao impacto da pandemia.

"O mesmo tem de acontecer neste caso", vincou ao presidente norte-americano, com um recado à administração chinesa, exigindo que investigadores independentes possam aceder aos locais e às informações sobre as origens do vírus.

"Os investigadores precisam de acesso total, a tudo o que for necessário, para encontrarem a origem desta pandemia", reivindicou a presidente da Comissão Europeia, advertindo que "dependendo disso, teremos de retirar conclusões".

"Há uma vasta amplitude de opções a serem investigadas, [e] é importante que tenhamos uma imagem geral sobre o começo da pandemia", defendeu Von der Leyen, a falar ao lado do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, o qual também apoiou a ideia de que a informação sobre a origem da pandemia deve ser conhecida por todos.

"Somos muito claros: precisamos de transparência total. O mundo tem o direito de saber exatamente o que aconteceu, para ser capaz de aprender as lições. E, realmente, apoiamos todos os esforços, para trazermos transparência e para sabermos a verdade", defendeu Charles Michel

Há menos de duas semanas, o presidente norte-americano deu instruções para que fosse elaborado um relatório em que fossem abordadas as origens do coronavírus, e prometeu pressionar a China, para que as investigações independentes possam acontecer.

"Os Estados Unidos vão continuar a trabalhar com parceiros com opiniões semelhantes no mundo, para pressionar a China a participar numa investigação internacional completa, transparente e com base em evidências, e a dar acesso a todos os dados e provas relevantes", defendeu Joe Biden.

Em março, investigadores da Organização Mundial de Saúde concluíram um relatório sobre o início da pandemia, depois de investigações em Wuhan, sem que tenham conseguido determinar a origem do vírus.

A investigação incluiu uma deslocação à China no final de janeiro, onde os especialistas recolheram amostras e informações, em quintas e explorações de animais, de onde o vírus pode potencialmente ter saído. Mas, na altura, os peritos queixaram-se da dificuldade de acesso a dados e a locais relevantes e a provas sobre o começo da doença que já fez 3,76 milhões de mortes em todo o mundo, 174 milhões de infetados.

Quando apresentou o relatório, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não fechou portas a novas possibilidades, admitindo que "todas as hipóteses ainda estão em cima da mesa".

"Ainda não descobrimos a origem do vírus", vincou. Porém, são já duas potências mundiais que se juntam num apelo comum para que esta informação seja meticulosamente apurada, alegando que só com esses dados será possível fazer com que a situação que o mundo atravessa "não se repita".

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