Von der Leyen pressiona países da UE para avanços no novo pacto migratório

A presidente do executivo comunitário vincou que a UE necessita de "um sistema em pleno funcionamento para gerir eficazmente as suas fronteiras, assegurar a solidariedade entre os Estados-membros e cooperar com os países de origem e de trânsito".

A presidente da Comissão Europeia pressionou esta terça-feira os países da União Europeia (UE) e o Parlamento Europeu para avanços no novo pacto migratório, proposto há um ano, visando "gerir eficazmente" as fronteiras europeias perante situações como do Afeganistão.

"Permitam-me sublinhar mais uma vez que estes acontecimentos atuais sublinham a necessidade urgente de os Estados-membros e de o Parlamento Europeu encontrarem um acordo sobre a nossa proposta de pacto em matéria de migração e asilo", apresentada em setembro de 2020, defendeu esta terça-feira Ursula von der Leyen.

Falando em conferência de imprensa após a reunião por videoconferência dos líderes do G7 sobre o Afeganistão, a presidente do executivo comunitário vincou que a UE necessita de "um sistema em pleno funcionamento para gerir eficazmente as suas fronteiras, assegurar a solidariedade entre os Estados-membros e cooperar com os países de origem e de trânsito".

A posição foi manifestada numa altura em que chegam à UE milhares de refugiados afegãos e em que vários países europeus (como Portugal) manifestaram disponibilidade de os receber, quase um ano após a Comissão Europeia ter apresentado a sua proposta de novo pacto em matéria de migração e asilo, sobre o qual ainda não se registaram consensos.

Nessa proposta, Bruxelas defendeu procedimentos mais eficazes e um novo equilíbrio entre responsabilidade e solidariedade em matéria de migrações.

A instituição propôs nomeadamente que, perante situações de crise e para evitar crises migratórias como a de 2015, haja uma reação mais rápida ao nível da UE através de um processo decisão acelerado sobre contribuições, havendo para tal um mecanismo de solidariedade centrado na recolocação e em regressos patrocinados e um mecanismo de correção.

"Estou convencida de que é mais que tempo de discutir como avançar com o novo pacto para a migração e asilo. É da maior importância porque isto nos dá os instrumentos para lidar com estas situações evitando reações posteriores", vincou Ursula von der Leyen.

E pressionou: "Há muitas razões para insistir realmente em progressos do dossiê no Conselho e no Parlamento Europeu".

Conseguir um acordo político entre os países da UE era uma prioridade da presidência portuguesa do Conselho, no primeiro semestre deste ano, mas as grandes diferenças em termos de política migratória dos Estados-membros não o permitiram.

Hoje, os líderes do G7 reuniram-se para discussões urgentes sobre o Afeganistão, onde os taliban recusaram que a operação internacional para retirar milhares de estrangeiros e colaboradores afegãos ultrapasse a "linha vermelha" de 31 de agosto.

A reunião, em formato virtual, foi convocada pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país preside atualmente ao grupo das economias mais desenvolvidas, o denominado G7.

Além do Reino Unido, o G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália e Japão, sendo que a UE tem o estatuto de 'oitavo membro' do fórum e esteve representada na reunião virtual pelos presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Von der Leyen.

A reunião ocorreu numa altura de maior tensão entre os taliban e as forças internacionais sobre o prazo para terminar a retirada de milhares de pessoas que se têm concentrado no aeroporto de Cabul desde a tomada de poder pelos rebeldes, em 15 de agosto.

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