Von der Leyen quer proteger melhor infraestruturas da UE após "sabotagem" russa

"Os atos de sabotagem contra os gasodutos Nordstream [I e II] mostraram quão vulneráveis são as nossas infraestruturas energéticas", assinalou a presidente da Comissão Europeia.

A presidente da Comissão Europeia defendeu esta quarta-feira a proteção das infraestruturas energéticas da União Europeia (UE), após a sabotagem russa nos gasodutos da Nordstream I e II, propondo testes de 'stress' e melhor reação a ruturas súbitas.

"Os atos de sabotagem contra os gasodutos Nordstream [I e II] mostraram quão vulneráveis são as nossas infraestruturas energéticas, [já que], pela primeira vez na história recente, tornaram-se um alvo", afirmou Ursula von der Leyen.

Intervindo num debate na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, a líder do executivo comunitário aludiu às recentes perturbações no funcionamento dos controversos gasodutos Nordstream, que ligam a Rússia e a Alemanha, levantando suspeitas de sabotagem no Mar Báltico.

"Os oleodutos e cabos submarinos ligam cidadãos e empresas europeias ao mundo e são oleodutos e gasodutos de dados e energia, [sendo] do interesse de todos os europeus proteger melhor esta infraestrutura crítica", salientou Ursula von der Leyen.

Para assegurar tal salvaguarda, a responsável anunciou um novo "plano de cinco pontos", que passa desde logo por ter em vigor a recentemente proposta legislação para reforçar a resiliência das infraestruturas críticas da UE, bem como por trabalhar com os Estados-membros "para assegurar testes de 'stress' eficazes no setor da energia", de forma a "identificar os seus pontos fracos e preparar a reação a ruturas súbitas" perante perturbação de estruturas de combustível, geradores ou de armazenamento, elencou.

Além disso, "aumentaremos a nossa capacidade de resposta através do nosso Mecanismo de Proteção Civil da UE", também "faremos o melhor uso da nossa capacidade de vigilância por satélite para detetar potenciais ameaças" e ainda "reforçaremos a cooperação com a NATO e parceiros-chave como os Estados Unidos sobre estas questões críticas", referiu Ursula von der Leyen.

Esta posição será transmitida pela líder do executivo comunitário aos chefes de Governo e de Estado da UE, que no final desta semana se reúnem numa cimeira informal em Praga, devido à presidência checa do Conselho, numa carta com um roteiro que inclui também possíveis medidas para enfrentar a crise energética como tetos ao preço do gás para produção de eletricidade.

"O Kremlin [regime russo] escalou a sua agressão para um novo nível. [O Presidente russo] Putin lançou a primeira mobilização da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, tratando centenas de milhares de jovens russos como carne para canhão, utiliza referendos fraudulentos numa tentativa ilegal de alterar as fronteiras internacionais pela força e, desde há muitos meses, usa a energia como arma", condenou Ursula von der Leyen.

Reconhecendo as "dificuldades económicas e sociais" causadas pela guerra da Ucrânia na UE, a líder do executivo comunitário apontou que "os custos crescentes da energia, em particular, estão a levar à redução do poder de compra dos cidadãos e à perda de competitividade das empresas", sendo necessário "agir em unidade e agir em solidariedade".

Dias depois de terem surgido críticas na UE à nova 'bazuca' da Alemanha, um pacote 200 mil milhões de euros em ajudas às famílias e empresas alemãs para lidarem com os elevados preços da energia, por se tratar de um apoio unilateral que coloca em desvantagem os restantes países (com economias mais vulneráveis), Ursula von der Leyen defendeu "os fundamentos da economia europeia, em particular o Mercado Único".

"Esta é a força da União Europeia e é de onde provém a riqueza da União Europeia e, sem uma solução europeia comum, arriscamo-nos a uma fragmentação. Portanto, é primordial que preservemos a igualdade de condições de concorrência para todos na UE", salientou.

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