"Está a tornar-se mais perigoso." Reino Unido não deve prolongar estadia em Cabul

Ben Wallace, ministro britânico da Defesa, assume que há cada vez mais riscos em manter o exército britânico em solo afegão, num momento em que mais de 15 mil pessoas rodeiam o aeroporto de Cabul, com vista à fuga.

Com mais de 15 mil pessoas concentradas na zona do aeroporto de Cabul, para tentarem escapar do Afeganistão, o ministro britânico da Defesa admite que o perigo aumenta à medida que se aproxima o prazo final de retirada, 31 de agosto. Ben Wallace considera agora improvável que se estenda o prazo de retirada, já que, a cada dia que passa, a situação torna-se mais perigosa. Nas últimas 24 horas, as tropas britânicas retiraram duas mil pessoas.

Em entrevista à Sky News, Ben Wallace garante que a situação no terreno "está a tornar-se cada vez mais perigosa".

"O maior desafio é mesmo fazer chegar as pessoas ao aeroporto, até ao centro de identificação, e, depois, até aos aviões, portanto a chave é mantermos um fluxo de pessoas para o aeroporto, mas nem tudo depende de nós", esclareceu. "É preciso passar pelos pontos de controlo dos taliban, fazer o percurso por Cabul até ao aeroporto, e, depois, finalmente entrar."

Só junto aos portões onde se encontra o dispositivo britânico, há um ajuntamento de três mil pessoas. "Neste momento, há três mil pessoas junto à porta controlada pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos, e 15 mil à volta de todo o aeroporto, portanto tudo isto é um grande desafio", descreve o ministro britânico.

Na segunda-feira, o Governo do Reino Unido afirmou que o primeiro-ministro britânico deveria defender junto dos Estados Unidos uma extensão das operações da retirada em Cabul, durante a cimeira virtual do G7 dedicada ao Afeganistão nesta terça-feira.

"Persuadir ou não os Estados Unidos a ficar é uma questão para o primeiro-ministro [britânico, Boris Johnson] na reunião do G7 amanhã (terça-feira)", disse, nessa altura, o secretário de Estado das Forças Armadas britânico, James Heappey, ao canal de televisão Sky News.

Heappey sublinhou, porém, que a decisão não cabe apenas a Washington e que os taliban também têm uma palavra a dizer sobre o tema. "Haverá uma conversa com os taliban. Os taliban terão a escolha entre procurar colaborar com a comunidade internacional e mostrar que desejam fazer parte do sistema internacional" ou "dizer que não há oportunidade de estender" a presença norte-americana, acrescentou Heappey.

No entanto, a perceção de risco aumenta de dia para dia, assume agora Ben Wallace, que quer encurtar a estadia. "À medida que nos aproximamos da data limite, o risco aumenta, a insegurança aumenta. Torna-se cada vez mais perigosa a situação. Sabemos que estamos vulneráveis caso os terroristas decidam fazer algo."

Por isso, o prolongamento do prazo começa a desenhar-se mais difícil. "É improvável, não só por aquilo que os taliban disseram, mas também pelas declarações do Presidente Biden. Penso que é improvável, vale a pena fazer o esforço, e vamos fazê-lo, mas há escolhas difíceis que temos de fazer: equipamento, pessoal, afegãos... Garantir que é tudo feito com segurança para as pessoas no terreno."

O exército britânico já retirou 8600 pessoas do Afeganistão.

Espanha já deixou um aviso: terá de deixar pessoas para trás. Já o Governo francês replica que, se os Estados Unidos da América abandonam o Afeganistão a 31 de agosto, os voos franceses a partir de Cabul terminarão na quinta-feira.

* Atualizado às 09h34

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