Zelensky classifica soldados russos como "assassinos" após "crimes de guerra" em Bucha

O presidente ucraniano classificou os soldados russos como "assassinos, torturadores, violadores e assaltantes".

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamou esta segunda-feira os soldados russos de "assassinos, torturadores, violadores e assaltantes", depois de dezenas de corpos serem encontrados perto de Kiev, à medida que aumenta a pressão para intensificar as sanções contra Moscovo.

As autoridades de Bucha, uma pequena localidade no noroeste de Kiev, afirmaram que precisaram cavar valas comuns para enterrar os corpos, incluindo alguns com as mãos amarradas nas costas, enquanto as imagens de cadáveres nas ruas chocaram o mundo, mais de um mês após o início da invasão russa ao país.

A Rússia negou qualquer responsabilidade e o Kremlin desmentiu "categoricamente todas as acusações".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que funcionários do ministério russo da Defesa encontraram sinais de "falsificações nos vídeos" e nas imagens apresentadas pelas autoridades ucranianas como provas de um massacre atribuído à Rússia.

"Com base no que vimos, não é possível confiar nas imagens de vídeo", afirmou Peskov, antes de acrescentar que "esta informação deve ser seriamente questionada".
Contudo, a condenação foi rápida e os líderes ocidentais, a NATO e a ONU expressaram horror com os relatos de civis mortos em Bucha e outras áreas da região de Kiev.

Zelensky foi implacável na sua mensagem de vídeo, afirmando que "o mal concentrado" chegou à sua terra e chamou os soldados russos de "assassinos, torturadores, violadores e assaltantes que se classificaram como exército e merecem apenas a morte depois do que fizeram". Ele começou o discurso em ucraniano e terminou em russo.

"Quero que cada mãe de cada soldado russo veja os corpos das pessoas mortas em Bucha, em Irpin, em Hostomel. Quero que todos os líderes da Federação Russa vejam como suas ordens são cumpridas", acrescentou.

Zelensky também disse que criou um órgão especial para investigar os massacres nas áreas de onde as forças russas saíram, depois de Moscovo reorientar a ofensiva para o sudeste da Ucrânia.

A escala dos massacres ainda está a ser investigada, mas a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova, informou que 410 corpos de civis foram recuperados.

O presidente da câmara de Bucha, Anatoly Fedoruk, disse à AFP que 280 corpos foram levados para valas comuns porque é impossível sepultá-los nos cemitérios que estão ao alcance dos bombardeamentos.

A empresa de imagens de satélite Maxar Technologies divulgou fotografias que seriam de uma vala comum no prédio de uma igreja de Bucha.

O funcionário municipal Serhii Kaplychnyi disse à AFP que as tropas russas impediram os moradores de enterrar os mortos na cidade.

"Eles disseram que, enquanto estivesse frio, iam deixá-los lá", afirmou. Quando finalmente conseguiram recuperar os corpos, "cavávamos uma vala comum com um trator e enterramos todos", contou.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse estar "horrorizada" com as imagens de corpos na cidade de Bucha.

"As informações que estão a chegar da região e de outras são graves e preocupantes sobre possíveis crimes de guerra e infrações graves do direito internacional humanitário, assim como graves violações dos direitos humanos", destacou Bachelet num comunicado, onde pediu que "todas as evidências sejam preservadas".

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