Zelensky critica "indecisão" dos europeus durante discurso no Parlamento irlandês

"Temos de convencer a Europa de que o petróleo russo não pode financiar a máquina de guerra russa", declarou o Presidente ucraniano.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou esta quarta-feira, durante um discurso no Parlamento irlandês, a "indecisão" de alguns líderes na introdução de sanções contra a Rússia, instando a União Europeia (UE) a endurecer ainda mais as suas medidas.

"Não posso tolerar alguma indecisão depois do que passámos", disse Zelensky aos parlamentares irlandeses, por videoconferência, lamentando uma "nova retórica" e alguma "oposição" a novas sanções.

"Enquanto o mundo inteiro está ciente dos crimes cometidos contra o nosso povo, ainda temos de convencer as empresas europeias a deixarem o mercado russo. Ainda temos de convencer os políticos estrangeiros a cortar os laços dos bancos russos com o sistema financeiro internacional e ainda temos de convencer a Europa de que o petróleo russo não pode financiar a máquina de guerra russa", declarou o Presidente ucraniano.

Volodymyr Zelensky pediu a Dublin para que convença os seus parceiros europeus a endurecerem as suas sanções contra Moscovo.

"Existem mecanismos que permitem que façam isso, a única coisa que falta é uma abordagem de princípios de alguns líderes, políticos ou económicos, que ainda pensam que a guerra e os crimes de guerra não são coisas tão terríveis quanto perdas financeiras", sublinhou.

O Presidente da Ucrânia acusou a Rússia de atacar civis intencionalmente, dizendo que 167 crianças morreram desde o início da invasão russa.

Acrescentou que "todas as atrocidades cometidas em Mariupol", onde "nenhum edifício está intacto" e onde "os mortos são enterrados nos pátios dos edifícios", "ainda não são conhecidas".

Zelensky também afirmou que a Rússia está "a usar a fome como arma" e "instrumento de domínio", ao bloquear os portos da Ucrânia, um grande exportador de grãos.

O chefe de Estado ucraniano alertou para as consequências particularmente na Ásia e em África: "Haverá escassez de alimentos e os preços subirão, esta é uma realidade para milhões de pessoas famintas".

O Presidente ucraniano já discursou em vários parlamentos, nomeadamente do Reino Unido, da Itália, dos Estados Unidos, da Dinamarca, de Israel, da Alemanha, da França, da Suécia, da Roménia, do Japão, entre outros países, assim como se dirigiu às Nações Unidas e ao Parlamento Europeu.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.480 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2.195, entre os quais 266 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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