Zelensky discursa no Conselho de Segurança da ONU sobre Bucha

A reunião de terça-feira servirá para "garantir que a verdade sobre os crimes de guerra russos é ouvida".

O Presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, vai intervir esta terça-feira na reunião do Conselho de Segurança da ONU que será dominada pelo alegado massacre de civis por parte das forças russas em Bucha, perto de Kiev.

A missão diplomática do Reino Unido, que preside em abril ao importante órgão das Nações Unidos, revelou na segunda-feira à noite, através da rede social Twitter, a intervenção de Zelensky, que será a primeira desde o início da invasão russa da Ucrânia.

Questionados pela agência France-Presse (AFP), os britânicos não confirmaram se a intervenção do chefe de Estado ucraniano por videoconferência será ao vivo, ou numa mensagem gravada.

Na nota divulgada no Twitter, a missão britânica explicou que a reunião de terça-feira servirá para "garantir que a verdade sobre os crimes de guerra russos é ouvida".

"Vamos expor a guerra de Putin como ela realmente é", assegurou a missão britânica através da sua conta no Twitter.

Esta sessão do Conselho de Segurança estava programada há muito tempo para ter a participação do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

A comunidade internacional tem reagido à denúncia das autoridades ucranianas da existência de mais de 400 cadáveres nas ruas de Bucha, a oeste de Kiev, no seguimento da ocupação pelas forças russas, situação também documentada no terreno por vários 'media' internacionais.

A Rússia negou "categoricamente" as acusações de "massacre" e "genocídio" relacionadas com descoberta de um grande número de cadáveres de civis em Busha, nos arredores de Kiev, e anunciou uma "avaliação judicial da provocação" ucraniana.

Moscovo convocou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o que chamou de "provocações odiosas" da Ucrânia, que denunciou o assassínio de civis por tropas russas em Busha, mas esta não decorreu na segunda-feira perante a oposição da presidência britânica.

O embaixador russo nas Nações Unidas afirmou ainda que "nem um único residente de Bucha sofreu qualquer violência às mãos dos russos" e prometeu apresentar esta terça-feira, na reunião do Conselho de Segurança, provas de que as agressões contra civis têm partido dos próprios ucranianos.

Os homicídios em Bucha foram também denunciados pela organização de direitos humanos Human Rights Watch num comunicado publicado este domingo, no qual detalha casos de execuções de civis, ameaças, violações e saques cometidos presumivelmente por soldados russos.

Imagens nas televisões e jornais de dezenas de corpos em valas comuns ou espalhados pelas ruas dos arredores da capital ucraniana, no fim de semana, na sequência da retirada russa, estão a chocar os países ocidentais.

Estados Unidos, União Europeia, Espanha, Polónia, Alemanha, Reino Unido, França, Japão, Canadá e Estados Unidos, entre outros, condenaram publicamente e defenderam novas sanções à Rússia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.430 civis, incluindo 121 crianças, e feriu 2.097, entre os quais 178 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de dez milhões de pessoas, das quais 4,1 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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