Zero casos de Covid é uma utopia e, por isso, Singapura vai inovar

Três ministros que integram a task force sobre a doença consideram que chegar ao objetivo de zero casos por dia é praticamente impossível, pelo que querem que a população aprenda a viver com a doença.

Singapura quer que a Covid-19 seja encarada como uma nova gripe e, por isso, as regras vão mudar. Num texto publicado na imprensa, os ministros da Saúde, das Finanças e do Comércio de Singapura defendem o fim dos confinamentos, dos rastreamentos em massa e da contagem diária dos casos.

Em breve vão apresentar as novas regras, mas já se sabe que o roteiro para regressar a um novo normal aposta na vacinação, testes, tratamento e responsabilidade social. Gan Kim Yong, Lawrence Wong e Ong Ye Kung defendem que a população está cansada de todas as medidas e é impossível manter o atual estado de coisas durante muito mais tempo.

Por este motivo, afirmam que têm uma má noticia - "a Covid-19 não vai desaparecer" - e uma boa noticia - "é possível viver com ela". Para os governantes de Singapura, o mais certo é que a doença se torne endémica, como a gripe. Todos os anos, milhões de pessoas apanham gripe e a grande maioria sobrevive sem risco de hospitalização, embora exista uma minoria, idosos e pessoas com outras doenças associadas, que pode ficar muito doente e morrer, defendem.

"O que faz alguém que apanha gripe?", perguntam os três membros do governo de Singapura. Os próprios responde: fica em casa, enquanto o resto da sociedade continua a fazer a vida normal, tomando algumas precauções e até vacinando-se. É isso que o grupo de trabalho quer para a Covid-19.

A chave do sucesso é a vacinação do maior número de pessoas. O país acredita que pode ter dois terços da população totalmente vacinada no início de agosto. "As vacinas são muito eficientes a reduzir o risco de infeção e de transmissão. Mesmo que uma pessoa seja infetada, são menores os riscos de doença grave," explicam os ministros, acrescentando "que serão mais pequenas as preocupações de ter o sistema de saúde nos limites."

Para além da vacinação, a equipa aposta na testagem de todos os que estiveram com doentes infetados, os que vão participar em grandes eventos e os que querem entrar na cidade-Estado.

Depois, vem o tratamento. Os ministros sublinham que os cientistas nacionais têm trabalhado bastante no desenvolvimento de tratamentos, motivo pelo qual Singapura tem uma das mais baixas taxas de mortalidade do mundo.

Por fim, a responsabilidade social terá também um papel-chave. Se todos mantiverem uma boa higiene pessoal, se evitarem grandes ajuntamentos e ficarem em casa quando estão doentes, a sociedade ficará mais segura.

Os três ministros defendem que, perante a impossibilidade de erradicar a doença, é preciso torná-la menos perigosa. Adotado este caminho, Singapura vai avaliar os resultados e, se tudo correr bem, o grupo de trabalho acredita que, em breve, poderão regressar as festas nacionais, as viagens e a reabertura de todos os negócios.

Até agora, o país tem sido dos mais bem-sucedidos no combate à pandemia, com apenas 36 mortos e, no último mês, uma média de 18 casos de Covid-19 por dia.

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