Zimbabué ameaça abandonar convenção de comércio se não puder vender marfim e elefantes

País quer vender parte dos 600 milhões de dólares de marfim de que é proprietário para financiar ações de conservação da vida selvagem.

O Zimbabué ameaçou esta quarta-feira abandonar a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), se não lhe for permitido vender o seu stock de marfim ou exportar elefantes vivos.

Numa publicação do jornal estatal The Herald, o ministro do Ambiente do Zimbabué, Mangaliso Ndlovu, disse que o seu país iria procurar a oportunidade de vender alguns dos seus 600 milhões de dólares de marfim para financiar a conservação da vida selvagem durante a 19.ª Conferência das Partes (COP19) da CITES, agendada para este novembro no Panamá.

"É evidente que não vamos à CITES para mendigar. Vamos à CITES para apresentar a nossa forte posição, uma posição que estamos preparados para defender, mesmo que isso signifique estar fora da CITES", advertiu Ndlovu.

A população de elefantes do Zimbabué está listada no Apêndice 2 da CITES, que restringe o comércio de produtos de marfim e limita a exportação de elefantes vivos para outros países africanos.

O Zimbabué, tal como outros países da África Austral, tem um problema crescente de conflito entre o homem e a vida selvagem, com comunidades de elefantes e pessoas a colidirem cada vez mais.

Sessenta pessoas foram mortas e 50 feridas por ataques de elefantes no Zimbabué, desde o início do ano, referiu, no passado dia 10 o porta-voz do Governo do Zimbabué, Nick Mangwana Ndlovu.

Ndlovu disse que o Zimbabué ficou com "opções limitadas" para lidar com a sua população de elefantes, que, segundo ele, estava a crescer até oito por cento ao ano.

"Quando temos a oportunidade de gerar receitas para apoiar a conservação, a CITES vem e fecha essa janela", lamentou o ministro.

"Se esta reunião da CITES [em novembro] não for decisiva nesta questão crítica, não nos restará outra escolha senão optar pelo abate ou talvez considerar abordar as nossas questões fora da CITES", disse.

O Zimbabué não abateu as suas manadas de elefantes para limitar o crescimento populacional desde os anos 60, e os grupos de bem-estar animal opor-se-iam fortemente a uma medida tão drástica.

Trevor Lane, chefe do grupo de conservação baseado no país, disse à agência Efe que as autoridades zimbabueanas têm "um ponto válido" em querer vender o seu marfim.

"Eles acumularam esta reserva e se existe uma forma legítima de se livrarem dela, porque não? Parar o comércio de cornos de rinoceronte não parou a caça furtiva de rinocerontes, isso é certo", disse Lane, observando que qualquer venda de marfim deve ser acompanhada de perto.

"Não se pode simplesmente entregar um cheque em branco. Se vai para a conservação, deve ser assinado com grupos de conservação em conjunto com os parques nacionais", acrescentou o chefe do Bhejne Trust.

O Zimbabué planeia realizar uma cimeira regional de elefantes na próxima semana, na qual participarão ministros do Ambiente de 14 países africanos e representantes da China e do Japão.

Ndlovu disse que um objetivo-chave é desenvolver "uma posição para levar à CITES, a partir de África, sobre a forma como a conservação se deve financiar".

O Zimbabué afirma ter uma população de elefantes de cerca de 90.000, o que é muito mais do que o país pode sustentar, de acordo com as autoridades.

O Governo do Zimbabué atribui esta população, a segunda mais elevada de África, depois do Botsuana, a atividades de conservação e de luta contra a caça furtiva.

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