Mais Opinião

Inês Cardoso
Inês Cardoso

O estado de emergência e os estados de alma

As decisões estão a ser avaliadas e serão tomadas até amanhã, mas a dúvida reside apenas nos pormenores. Quanto ao essencial, e Marcelo Rebelo de Sousa foi claro ao dizê-lo sem o explicitar, todos sabemos que o estado de emergência será renovado durante (pelo menos) mais 15 dias. É consensual a necessidade de continuar a conter a propagação da Covid-19 e adotar medidas restritivas, mantendo a "pressão na mola", para usar a expressão do Presidente da República.

Lisboa, 11/03/2020 - Decorreu hoje no Estúdio 4 da TSF a entrevista TSF DN, com José Cutileiro,  diplomata
José Cutileiro

O teor de terylene

Repugnante, disse António Costa de posição do ministro das finanças holandês em discussão sobre o que a União Europeia deveria fazer contra a pandemia de Corona Vírus. Lembrei-me de Jaime Gama, em último dia de ministro antes da chegada de Pires de Miranda no primeiro governo de Cavaco Silva - falávamos de Timor - "A política externa holandesa faz-me nojo". Holandês que me é muito querido e me aconselhara há anos a nunca esquecer que eles eram os heróis de Srebrenica, mais indignado ainda do que Costa, disse-me enojado: isto não é um país é um negócio.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Admirável Mundo Novo I

A tecnologia encolhe o mundo. Quando em meados da década de 90 começamos a usar o IRC para digitar mensagens para estranhos de outros países, quando no final da década de 90 o telemóvel tornou-nos permanentemente acessíveis ou quando em meados de 2000 começamos a fazer chamadas telefónicas com vídeo pelo Skype, o mundo contraiu-se. Redefine-se o significado de distância como se os novos cartógrafos fossem os nossos filhos cibernéticos e houvesse um novo heliocentrismo centrado na internet.

Pedro Tadeu
Pedro Tadeu

Vamos perder a guerra ao coronavírus?

O grande desafio desta semana no combate ao novo coronavírus é garantir que dentro dos lares de idosos e das prisões não ocorra uma tragédia: o número de mortes que pode ser provocado pela incapacidade de resposta adequada à contaminação nesses locais é potencialmente gigantesco e todo o trabalho de contenção do impacto da doença que os portugueses fazem, ao manterem o distanciamento social e ao fecharem-se em casa desde há duas semanas, pode acabar por parecer inútil.

Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes

E se o vírus voltar?

O isolamento social foi a necessária resposta para garantirmos, tanto quanto possível, a capacidade dos nossos sistemas de saúde enfrentarem a pandemia e o pico de afluência hospitalar que esta gera. Uns mais preparados do que outros, uns com mais meios do que outros, o que é certo que a esmagadora maioria dos países optou por essa estratégia assim que confrontados com a chegada do vírus aos seus países. Poderíamos todos ter agido mais cedo, não há dúvida. Mas está por provar que essa prevenção pudesse livrar-nos da estratégia do isolamento social, que politicamente se tornou aliás inevitável à medida que sucessivamente adoptada pelos restantes países.

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

A morte não espera pela cura e a economia não espera pelos burocratas

O conceito de "risco de vida" é, nos dias que correm, muito mais amplo do que podemos imaginar. Ele não se aplica apenas aos infetados com o novo coronavírus. Há um grupo de risco, muito mais alargado, que, tendo a sorte de escapar à Covid-19, pode não sobreviver a um outros vírus, com poderes igualmente letais: o vírus do Estado, dos bancos e dos burocratas. E, nesse grupo, estamos todos. Os doentes e os saudáveis.

Mário Fernando
Mário Fernando

A carta que eles deviam ter lido

Numa carta aberta divulgada na passada semana, o presidente da Luxembourg Sports Press ironizava ao dizer que "o COI ainda acredita em milagres". Petz Lahure perguntava: "De quem nos estamos a rir? Dos desportistas e das desportistas? Dos amantes do olimpismo ou das vítimas da pandemia?". E concluía de forma contundente: "Esqueçam o dinheiro, lembrem-se dos valores do olimpismo e assumam as vossas responsabilidades (...) Adiem os Jogos de Tóquio o mais depressa possível. O Barão de Coubertin vai agradecer-vos".