Mais Opinião

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Costa foi avistado noutra galáxia

Para azar do primeiro-ministro, ou sorte, o futuro dirá, as maravilhas que tem conseguido fazer na Europa não são muito valorizadas na frente interna. O recorde de tempo com que a União Europeia conseguiu aprovar o certificado digital Covid ou a ida da Comissão aos mercados para financiar a bazuca podem ter ficado a dever muito à presidência portuguesa da União, mas por cá só servem para explicar o sentimento de orfandade que cresce no governo e no Partido Socialista. É, pelo menos, a explicação mais benevolente.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Marcelo tem razão. E compete a Costa trabalhar para lha dar

Numa primeira impressão, as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre eventuais recuos no desconfinamento poderiam parecer demasiado seguras, numa altura em que todas as mensagens devem continuar a assentar no princípio da prudência. Mas importa desde logo interpretar a posição do Presidente da República na sua totalidade, sem ouvir apenas excertos ou frases truncadas, e sobretudo enquadrá-la na questão de fundo: a definição da matriz de risco e a forma como equilibramos os vários fatores em ponderação.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

O que o Lisbongate revela da nossa democracia

Se há tema em que tenho insistido ultimamente é a fraca qualidade da nossa democracia. Não há dúvida que somos uma democracia, mas a nossa cultura política democrática tem sérios problemas. É o que os mais recentes indicadores internacionais revelam. Mas é também aquilo que nos ensina o escândalo desta semana. A entrega, pela Câmara Municipal de Lisboa, de dados pessoais de ativistas da oposição à embaixada e governo russos é, para além de tudo o resto, uma demonstração de quão incompleta é a nossa cultura democrática.

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Os russos em Lisboa e um monte de absurdos

Seria um absurdo considerar que Fernando Medina enviou intencionalmente para a autocracia russa os dados de ativistas, no sentido de os ajudar a identificar os que lutam pela democracia contra o regime do senhor Putin. De igual forma, seria um absurdo considerar que foi intencional o envio de informação sobre manifestações que punham em causa a política de Israel nos territórios ocupados da Palestina. Mas não é nada absurdo, bem pelo contrário, assumir que a Câmara de Lisboa sabia que estes procedimentos existiam, eram assumidos e justificados pelos serviços. Demitir Medina a poucos meses das eleições seria igualmente um absurdo, porque, do ponto de vista legal, até ver, não há nenhuma razão que se conheça para a perda de mandato e, do ponto de vista político, esse julgamento vai acontecer entre setembro e outubro.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Silvano e a eterna crise da Justiça

O processo arrasta-se desde novembro de 2018, mas esta semana ficou a saber-se que José Silvano, deputado e coordenador da estratégia do PSD para as autárquicas, vai a julgamento por falsidade informática, na sequência do caso das presenças-fantasma no Parlamento. Convém recordar a forma como, à data dos factos, o presidente do partido minimizou e até ridicularizou as questões levantadas pelos media. Disse Rui Rio que se tratava de uma mera "questiúncula", comentando-a em alemão e recorrendo a metáforas jocosas sobre a validade do iogurte.

Rita Valadas
Rita Valadas

Portugal fora da lista verde do Reino Unido

Depois de tanta agitação sobre a importância do turismo para a recuperação económica no pós-Covid, chega como um balde de água fria a notícia da retirada de Portugal da lista verde do Reino Unido. Isto quer dizer que as deslocações de turistas para Portugal ficam agora condicionadas a uma quarentena forçada no momento do regresso. Ora para quem tanto tem esperado pelos meses de verão para ver a sua contabilidade um pouco mais equilibrada a tentação é baixar os braços. Se verde é esperança, a inconsequência da Lista do Reino Unido, traz mais receios que esperança.

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Só para inglês ver

Quando se fazem as coisas apenas para inglês ver, não se resolve coisa nenhuma. Seguíamos felizes na lista verde do Reino Unido com os nossos rivais (Espanha, Itália e Grécia) de fora e já sabíamos, porque no passado tinha sido exatamente o inverso, que podia ser sol de pouca dura. Afinal, a variante indiano/nepalesa de que falam as autoridades britânicas já é do nosso conhecimento há pelo menos uma semana. Surpresa era se não ligassem nenhuma a estes pormenores que se transformam muitas vezes em factos determinantes nas vagas desta pandemia que tão depressa vão embora como logo a seguir estão de regresso.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

4 de Junho, Hong Kong e a Hungria de Orban

Amanhã, dia 4 de Junho, será assinalado o 32º aniversário do massacre de Tiananmen. Assim ficou conhecido aquele 4 de Junho de 1989, um símbolo de um movimento de protesto bem mais abrangente. Mas se pensarmos bem, o 4 de Junho de 1989, é também o símbolo da repressão violenta pelo Partido Comunista da China, repressão essa que está hoje bem viva e robusta com o actual líder Xi Jinping. Amanhã terei nos meus pensamentos, entre outros, o vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2010, Liu Xiaobo, figura tão importante deste movimento, movimento esse que o mudou de forma indelével. O académico deu lugar ao dissidente e de uma forma tão intensa e avassaladora que ainda hoje ao reler as suas palavras fico sempre arrepiada. Apesar de já ter morrido a sua memória está bem viva através do seu exemplo e das suas palavras.