Mais Opinião

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Os trabalhadores não são máquinas e os millennials não são talento

Sempre achei muita piada à ideia de que só trabalha quem não sabe fazer mais nada, porque toda a vida pensei que há sempre qualquer coisa melhor para fazer do que trabalhar, mas sempre gostei da minha profissão e na maior parte dos dias trabalhei com gozo, já lá vão bem mais de 30 anos. Vi, no entanto, que chegue para saber que aquilo que o Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no diz é que há um problema para resolver, mas nós fazemos de conta que não vemos o que temos à frente do nariz.

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Indo eu, indo eu a caminho de Belém

No dia em que deixou de ser ministro, Pedro Nuno Santos foi assistir, como é tradição, à posse do seu sucessor. O homem que durante cinco anos negociou orçamentos de Estado com BE e PCP, o secretário de estado triunfante que saiu do hemiciclo lado a lado com o primeiro-ministro e, ambos, num gesto combinado, levantaram os cinco dedos da mão para assinalar o quinto orçamento aprovado do PS em minoria, o ministro que decidiu onde iria ficar o novo aeroporto de Lisboa, 50 anos depois de a discussão ter começado, e que foi desautorizado no dia seguinte pelo seu primeiro-ministro, estava firme e hirto.

Filinto Lima
Filinto Lima

"Espelho meu, espelho meu, haverá alguém capaz de convocar mais greves do que eu?"

Na última ronda negocial, concluída no final da semana passada, não se vislumbrou o esperado fumo branco em sinal de harmonia, antes porém, foram lançadas mais achas para uma fogueira que consome esperança, direitos, tempo e energias. As ações multiplicam-se em reação e em oposição: o ministério da Educação (ME) requereu o decretamento de serviços mínimos, tendo o Tribunal Arbitral fixado por unanimidade, algo que poderá interferir diretamente na estratégia sindical, e um sindicato convocou a 2.ª Marcha Nacional pela Escola Pública, estendendo convite a outros sindicatos de professores e de outras profissões. Uma federação de sindicatos anunciou a sua entrada na "luta", convocando greve nacional de professores, e o ME pediu um parecer em dose dupla: à Procuradoria-Geral da República e ao Centro de Competências Jurídicas do Estado. E o estado das coisas vai no sentido de se "um diz mata, o outro diz esfola".

Pedro Cruz
Pedro Cruz

A secretaria de Estado que, afinal, não fazia falta nenhuma

Há uma velha e estúpida frase que se costuma dizer, normalmente como piada: «não faltes ao trabalho, porque se faltares talvez o chefe perceba que não fazes falta nenhuma». Uma outra máxima da (boa) gestão, explica que quando alguém sai, tem de ser imediatamente substituído. Se assim não for, a «organização» acaba por assumir que, afinal, aquela função é dispensável, pode ser atribuída a outrem ou, no limite, nunca deveria ter existido.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

30 Anos de Conselho Económico e Social entre o Diálogo Social e a Democracia Participativa

Participei ontem num painel de apresentação do livro sobre os 30 anos do Conselho Económico e Social. É diga-se um livro em boa hora promovido pelo atual Presidente do CES (Francisco Assis) e exemplarmente escrito por Pedro Tadeu. O livro e o debate que se seguiu identificaram sucessos e insucessos do CES expondo a tensão permanente em que tem vivido desde a sua origem. Em primeiro lugar, uma tensão histórica, entre a influência do modelo europeu de diálogo social e o medo do corporativismo associado com o Estado Novo. E, em segundo lugar, a tensão decorrente das diferentes funções atribuídas ao CES, em particular, simultaneamente, órgão de concertação social e órgão participativo da sociedade civil. Há que dizer que o CES tem sido bastante mais eficaz como órgão de concertação social (com vários acordos ao longo da sua história) do que como instrumento de consulta e participação da sociedade civil no processo político.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Um investimento pouco católico

Falar de dinheiro dá pano para mangas quando se trata de uma instituição com a história e os pecados da Igreja Católica. O tema já voltou a suscitar acalorados debates à luz da Jornada Mundial da Juventude, que este ano irá juntar um milhão (ou mais) de jovens em Lisboa. Quando foram aprovadas as autorizações de despesa por parte do Governo, a que se juntam investimentos da Câmara Municipal de Lisboa, não faltaram críticas à aplicação de verbas públicas num evento confessional. Essa é, ainda assim, uma falsa questão. Basta olhar para anteriores jornadas e torna-se fácil perceber o efeito que uma iniciativa de tamanha dimensão tem na economia nacional e sobretudo local, ao mesmo tempo que projeta a imagem do país à escala global.

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Como é que isto aconteceu?

A última sondagem da TSF, DN e JN tem vários indicadores a que sobretudo PS e PSD deveriam estar atentos. Uma sondagem não é uma eleição. Nem substitui o voto em urna, decidido diante das circunstâncias e no momento exato em que se vota. Mas, há décadas que as sondagens regulares e fora dos períodos eleitorais revelam tendências, perscrutam a opinião e sensibilidade do eleitorado e deveriam ser tidas em conta como indicadores da forma como a sociedade olha para o estado da nação.

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

O "ambiente de negócios" entre Argélia e Marrocos

Começando pelo fim, não "direi", como se ouve amiúde o Presidente Marcelo dizer, antes digo que está tudo bem, no sentido em que os sinais e actos que "transpiram para o exterior" da picardia diplomática entre os dois países, significam que não se avançará para uma guerra directa entre os dois vizinhos rivais, como muitas vezes muitos pintam. Recordo um jantar, para o qual apenas tinha sido convidado para tomar o aperitivo com um dos convivas, para acertarmos umas direcções, relativamente a uma campanha eleitoral que se aproximava e depois pirar-me, já que os assuntos à mesa eram só para serem tratados pelos adultos na sala! Foi precisamente um desses adultos que gritou "Argélia", quando uma das conversas paralelas versou os perigos do islamismo mais próximo. São precisamente estes adultos que mantêm os clichés de há 20 ou 30 anos, não querendo perceber que tudo mudou para além dos seus quintais.