Destaques

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Um passageiro e um ministro

Depois de resistir a tantos escândalos, foi quase com surpresa que recebemos a notícia da demissão do Ministro Eduardo Cabrita. Parece bastante claro, pelas primeiras declarações do Ministro após ser conhecida a acusação do Ministério Público ao seu motorista, que nem isso teria sido suficiente para o levar a demitir-se. Nesse momento, ele voltou a procurar apresentar-se como alguém totalmente estranho ao acidente que provocou a morte do trabalhador Nuno Santos. Era um "mero" passageiro do seu motorista e houve, na sua opinião, um atravessamento indevido da estrada. Estas afirmações chocaram o país pela falta de empatia para com o trabalhador morto e o próprio motorista e por insistirem na tese de que é totalmente estranho ao assunto, transferindo toda a responsabilidade para o motorista e a própria vítima.

Mais Opinião

Rosália Amorim
Rosália Amorim

Demissão de Cabrita. Palavras para quê?

Há uma falta de empatia, falta de jeito para comunicar e um discurso perturbador do ministro Eduardo Cabrita, até na hora da apresentação da sua demissão. A saída era óbvia, devido ao envolvimento num acidente automóvel que levou à morte de um cidadão. Mas as declarações do ministro centraram-se no partido e não no acidente ou no falecido. Estará o partido acima da vida? Ou a amizade por Costa acima da responsabilidade e da ética política?

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

O elefante não está no meio da sala e o rei não vai nu

A terceira vitória interna de Rui Rio, contrariando todas as expectativas, vencendo o que toda a gente pensou invencível, o aparelho do partido, deixou muita gente à procura do elefante no meio da sala. Houve quem se atrevesse a ver o que a falta de coragem dos outros, na opinião deles, não lhes permitia ver. Sem capacidade de comprovarem a sua tese, apenas na base do achismo, descobriram que Rangel teria perdido por ter revelado a sua homossexualidade.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

Desabafo de uma adepta

O ponto de partida para a Opinião de hoje é, sem dúvida, aquele "jogo" (se é que o podemos apelidar assim) no passado domingo. No intervalo do dito jogo com aspas escrevi que "ninguém fica bem nesta fotografia". Sobre a questão do que está em jogo e de como é urgente fazer melhor não tenho nada a acrescentar ao texto do Pedro Adão e Silva intitulado "Mais vale tarde do que nunca". Palavras como "perplexidade", "farsa" ou "absurdo" traduzem muito bem o óbvio.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Eutanásia: a clareza que se exige

O debate sobre a morte medicamente assistida arrasta-se há 26 anos em Portugal. Quando parecia antever-se um desfecho, com duas maiorias claras no Parlamento a mostrarem haver toda a legitimidade para legislar sobre a matéria, o veto do presidente da República adia nova discussão para a próxima legislatura. É natural que mais um adiamento cause amargos de boca a defensores da eutanásia, não apenas pelo tempo de espera, mas mais ainda pela incerteza em relação àquela que será a próxima composição do Parlamento. Não há propriamente alinhamentos partidários nesta posição, sendo antes uma votação em consciência e a título individual, logo com maior dificuldade em antever cenários após a mudança na Assembleia.

Daniel Oliveira
Daniel Oliveira

PSD: A derrota de um passado enfiado na sua bolha

Daniel Oliveira começa o seu habitual espaço de Opinião na TSF por afirmar que "a direita que domina o espaço mediático já está a mudar a agulha". "Há dois dias, Rui Rio era um estropício, incapaz de ganhar uma eleição, desastrado, fadado para ser uma muleta de António Costa. Não foi preciso esperar um dia para que se desse a cambalhota. Compreendendo que tinha esgotado os seus créditos, essa direita mediática virou-se do avesso."

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Tantos escândalos e nada

Na última semana, terminei a minha crónica sobre o papel do Comité Olímpico Internacional no escândalo relativo ao desaparecimento da tenista chinesa Peng Shuai, perguntando quantos escândalos desportivos serão necessários até finalmente fazermos algo para impor um mínimo de escrutínio e boa governação nas organizações desportivas. Estava longe de imaginar os acontecimentos desta semana. No sábado assistimos a uma página negra do futebol com o jogo entre o Benfica e a B-SAD a ter lugar, mesmo se esta equipa, devido à Covid, apenas poder alinhar com 9 jogadores (dois dos quais guarda-redes). Todos parecem criticar o que se passou, mas ninguém assume responsabilidade por um momento que nos deveria envergonhar a todos, independentemente do escândalo internacional que causou. Isto, na mesma semana em que tiveram lugar mais buscas relativas a uma investigação criminal que parece envolver a grande maioria dos clubes portugueses e também os seus responsáveis (atuais ou passados) e intermediários do futebol. Não conhecendo nada sobre os processos em causa não me pronuncio sobre eles, mas direi que dois dados alimentam as suspeitas em torno do nosso futebol. Por um lado, a concentração de poder e os fracos mecanismos de escrutínio e prevenção de conflitos de interesse nos clubes e sociedades desportivas. Por outro lado, o facto de um país e uma liga desta dimensão darem origem ao quarto maior volume de receitas com transferências no mundo. O nosso futebol devia ser tratado de acordo com a importância económica que tem, quer ao nível das condições que lhe devem ser oferecidas, quer ao nível da correspondente exigência a que devia estar sujeito.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

Sudeste Asiático, Beijing e Washington

Os holofotes internacionais têm estado centrados em várias questões: no fim das negociações na Alemanha com vista a uma coligação governativa entre os Liberais, os Verdes e o SPD; na convocatória dos Estados Unidos da América para uma cimeira virtual entre e sobre Democracias e que inclui Taiwan; e na articulação de esforços para ter informações sérias e credíveis sobre a tenista chinesa Peng Shuai e sobre o impacto bem fundo da violência exercida sobre as mulheres chinesas; no fim, acabei por optar pela recente Cimeira da ASEAN com a China.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Vidas em risco onde é suposto cuidarem delas

Situação explosiva. Calamitosa. Serviços de saúde sem segurança e qualidade. Os termos usados variam, mas são todos eles fortes. São os escolhidos por responsáveis nacionais e regionais de ordens e sindicatos do setor da saúde para descrever os problemas sentidos nos hospitais. No último mês os enfermeiros apresentaram mais de mil escusas de responsabilidade em várias unidades do país e sucedem-se as demissões em bloco de médicos em cargos de chefia.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

O que aconteceu aos valores olímpicos

Muitos de vós terão ouvido falar, nos últimos dias, do caso que envolve a tenista chinesa Peng Shuai. A tenista, uma das estrelas do circuito internacional de ténis, deixou de ser vista em público após ter acusado, numa rede social chinesa, um ex-vice primeiro-ministro chinês de a ter violado. O que escreveu foi imediatamente apagado e a tenista desapareceu. Perante o clamor internacional e o protesto de inúmeras tenistas, governos e organizações não-governamentais, um jornal, controlado pelo governo chinês, divulgou fotos da atleta e um comunicado, alegadamente escrito por ela, em que esta dizia estar bem. Sendo impossível apurar a veracidade da notícia ou sequer se a atleta estaria em condições de falar com liberdade, isso não diminuiu os protestos internacionais. Sucederam-se os apelos ao boicote dos Jogos Olímpicos de Inverno que irão ter lugar na China em Fevereiro.