Destaques

Mais Opinião

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Fique em casa. E nós ficamos?

Quando hoje se sentarem para aprovar as medidas do novo confinamento que tenta travar uma terceira vaga avassaladora, os ministros terão na decisão sobre as escolas um dos principais pontos de discussão. Manter ou não as aulas presenciais em todos os níveis de ensino divide especialistas, políticos e agentes do setor, tal como na Europa se vão vendo diferentes modelos nesta matéria. A grande questão não é se as escolas fecham. É, fechando, perceber quando abrem. O exemplo de Tavira é bem ilustrativo do problema que se cria ao encerrar escolas. Depois de uma semana com ensino à distância, quando as aulas foram retomadas, na última segunda-feira, cerca de metade dos pais não levaram os filhos, porque se criou um problema de confiança que até então não existia.

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

A realidade supera a conspiração

António Costa a acusar políticos portugueses de estarem a conspirar internacionalmente contra o país, faz lembrar Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria que é acusado pelos seus parceiros europeus de não gostar muito do Estado de Direito. Esta comparação ocorreu à candidata presidencial Ana Gomes. A minha memória é mais curta e, quando me convocaram para mais uma dose de patriotismo, o que me ocorreu foi que esse deve ter sido o argumento que os apoiantes de Trump usaram para se convencerem a si próprios que fazia todo o sentido invadir a casa da Democracia.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

E agora, Trumpistas?

Tinha preparado a minha opinião de hoje sobre a vitória Democrata no estado da Geórgia e também a resistência de alguns Republicanos relativa à confirmação dos votos do Colégio Eleitoral pelo Congresso. Claro está que Trump é sempre capaz de surpreender pela negativa. As imagens de ontem são chocantes, sem dúvida, mas não são inesperadas. Na verdade, tendo em conta os movimentos extremistas, o acesso a armas e a legitimidade dada por Donald Trump à «fraude eleitoral», estava à espera de bem pior.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

É favor voltar a aumentar o volume dos especialistas

Vamos ter mais um estado de emergência, desta vez de apenas oito dias e com uma sensação (grave) de que o prolongamento é acompanhado de um grande desconhecimento sobre a verdadeira situação epidemiológica do país. Estamos a habituar-nos a um estado que deveria ser excecional, mas, a certa altura, já parecemos algo desorientados e perdidos quanto à real situação que atravessamos. É discutível a lógica desta declaração a meio tempo, que evita o cenário de renovação em vésperas de eleições, mas certo é que o próprio Presidente da República justifica ser necessário avaliar o efeito do período mais relaxado das festas de Natal.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Um País em 56 artigos

O convite foi espontâneo, mas acabou por tornar-se um ofício prazeroso. No final de 2018, a direção da TSF pediu-me que escrevesse sobre Portugal. O que vê um emigrante de quase duas décadas quando regressa, com 40 anos de idade, ao seu país? Escrevi, com apego, mais de meia centena de artigos (41 deles hyperlinkados abaixo). Entrevistei algumas pessoas, conversei com mais, observei todas. Aprendi e desaprendi em contrição. Aproximando-se o final de 2020, esta será a última das minhas colaborações na TSF. Neste período, rodopiei dentro de mim, como um pião, por quase todos os estados de alma até conseguir olhar para o país com uma certa calma, sem latejos ou agitações. Ainda não dei repouso à frustração, mas um certo orgulho começa a despontar. Portugal ainda é um país muito igual, mas também já é diferente.