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Inês Cardoso
Inês Cardoso

As piadas do PSD

A semana arrancou com a anedota do menino Zéquinha a conversar sobre resultados eleitorais com a professora. Em escassos dois dias, já sobravam críticas e acusações de parte a parte, na campanha para a segunda volta das eleições no PSD. Luís Montenegro reagiu às insinuações de Rui Rio sobre a oferta de lugares a troco de votos e respondeu na mesma moeda, sempre sem concretizar as referências vagas. Ouviram-se acusações de "mesquinhez" em episódios como a retirada do retrato de Rui Rio na sede do PSD em Braga. O PSD-Madeira deitou mais achas na fogueira com a direção nacional, anunciando um boicote no próximo sábado. Tudo somado, sobram exemplos reveladores de alguma desorientação e intervenções carregadas de indiretas e meias-palavras, numa eleição que tem contribuído muito pouco para dignificar o partido e a ação política.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Podem apresentadores de TV ser bons políticos?

Há quem aponte que Cristina Ferreira tem um timbre de romaria, ri com os dentes do sizo e responde com baixa escolaridade. Mas Cristina também é uma mulher com aquela destreza própria de quem foi íntima das dificuldades e que tem a confiança de quem conseguiu superá-las. Parece ter uma inteligência funcional apurada. E é claramente uma mulher ambiciosa. Tudo isto baralha a elite portuguesa. Recebem-na com o desdém de quem acha que a posição social deve ser mais herdada do que adquirida, mas invejam-lhe o poder que, com mérito, acabou por alcançar.

Fernando Ribeiro
Fernando Ribeiro

Desamigos

Eu tenho um perfil "meio" secreto no Facebook. Porquê? Porque quando o meu filho Fausto nasceu em 2012 alguém fez um perfil a gozar com ele chamado o Filho do Diabo 666. Esse perfil dava seguimento a um outro, construído por anónimos e que se chamava Fernando Loleiro. Consistia o dito cujo numa sequência de memes com frases minhas, retiradas do contexto, com o intuito simples e inocente de me aparvalhar e apequenar. A minha mulher, Sónia Tavares de seu nome e graça, era, obviamente, uma visada muito especial nesse perfil e também levava pela "medida certa".

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Meia-dose de compromisso

O governo socialista está menos comprometido com a Esquerda que lhe viabiliza o Orçamento do Estado (OE), mas a verdade é que a Esquerda também fica menos comprometida para o resto da legislatura. Em tempos de Geringonça só com os votos favoráveis do PCP e do BE se viabilizavam os orçamentos e desta vez basta a abstenção. O PS estava obrigado a ceder em alguma coisa e, talvez por isso, António Costa diz que este é o melhor OE, porque não teve de o negociar, e isso é o mesmo que dizer que a Esquerda lhe estragou os anteriores documentos. Comunistas e bloquistas percebem bem o que lhes está a dizer o primeiro-ministro, o país também: está a esquerda toda unida por um orçamento que foi o sonho de toda a direita, um orçamento que prevê um excedente orçamental.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Semana de trabalho de quatro dias? Eu quero

A notícia começou por ser lançada num tabloide britânico, o "Daily Mail", mas logo em seguida foi divulgada pelo credível "The Guardian", tendo como ponto de partida um artigo de opinião do eurodeputado conservador Daniel Hannan. A primeira-ministra finlandesa estaria a preparar legislação para reduzir a semana laboral para quatro dias e a carga horária para seis horas. De tão inovadora e simpática para a maioria das pessoas, a boa nova rapidamente foi replicada por meios de comunicação social de toda a Europa e passou mesmo o Atlântico, dando origem a notícias na América Latina. O governo finlandês viu-se obrigado a fazer um esclarecimento, recordando que a medida não consta do seu programa nem está prevista nos tempos mais próximos.

Ricardo Alexandre
Ricardo Alexandre

Evitar uma guerra, fazendo-a? Com armas hipersónicas?

O ataque que matou Qassem Suleimani, 62 anos, alto dirigente iraniano, tido no seu país como um misto de James Bond e Lady Gaga, e que tem sido fundamental no papel regional do Irão (ao liderar a força de elite Al-Quds), além de tremendamente popular, acontece depois da investida de milícias pró-iranianas sobre a embaixada americana no Iraque e depois do bombardeamento americano, a 29 de dezembro com aviões F15, de bases do movimento xiita Hezbollah pró-iraniano na Síria e no Iraque. Na noite de sexta-feira mais elementos de milícias pró iranianas foram assassinados com recurso a drones, em território iraquiano.

Imunoterapia pode ser a resposta para o tratamento do cancro na próxima década
Carlos Carvalho*

Imunoterapia pode ser a resposta para o tratamento do cancro na próxima década

Não serão apenas medicamentos, mas serão novas fórmulas, que utilizam células do próprio doente, células de defesa que pode ser programadas contra cada tipo de tumor. Portanto, será um tratamento muito individualizado.

Esse tratamento vai implicar recursos próprios de laboratórios muitos especializados na preparação deste tipo de células de defesa para administrar no doente.

E um dos investimentos que a Fundação Champallimaud sentiu como estratégico é exatamente a instalação de um laboratório desse tipo. Não existem muitos no mundo.

Esse laboratório já está desenhado e já está programado para fazer parte do novo edifício, que dentro de um ano - esperamos nós - a Fundação Champallimaud pode inaugurar e que será dedicado ao tratamento do cancro do pâncreas.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Quem será o próximo Presidente do Brasil?

Todos os presidentes brasileiros do período democrático, que foram diretamente eleitos ou que não foram alvo de impeachment, reelegeram-se. Jair Bolsonaro, o Enganador, é também o mais forte candidato nas eleições de outubro de 2022. O seu mandato tem confirmado todas as expetativas. Debaixo do sol da ética política germinou uma quadrilha organizada, com ligações às milícias cariocas e infestado de casos de corrupção. Como presidente de 211 milhões de brasileiros governa apenas para os cerca de 50 milhões de evangélicos e pobres conservadores, que continuarão a relevar o jeito semianalfabeto e inapto do presidente, enquanto a sua esposa com semblante mariano continuar a aparecer na TV com uma t-shirt a dizer JESUS e ele continuar a usar o termo homossexual como um insulto a jornalistas. Esta massa eleitoral cristã, juntamente com outros crentes na recuperação económica do Brasil e mais alguns fiéis das fake news são suficientes para Bolsonaro ganhar as eleições.