Mais Opinião

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

O Irão já não é Persa!

Sazonalmente, em média a cada dois anos, o actual Irão das virtudes e dos bons costumes volta aos noticiários por razões que no limite, nos confortam pelo facto de sermos portugueses e de vivermos no país mais livre do Mundo (o que me obriga a abrir aqui este "pequeno parêntesis" em jeito de tributo àqueles/as que conheço e que se encontram na prisão por uma caricatura ou uma simples linha publicada nas respectivas redes sociais. Piadas que se transformam em pesadelos, por terras onde rir também é pecado. Uma vez, no lóbi de um hotel no Cairo, a recepcionista veio ter com o grupo de portugueses onde me encontrava inserido, para nos pedir que "ríssemos à vontade, mas baixinho"! Conseguem imaginar as nossas caras e a gargalhada subsequente ainda mais barulhenta? E a cara da zelosa recepcionista quando percebeu que com "tugas" não iria a lado nenhum? Depois ainda há as outras e os outros que com cara mais fechada, sem risos, lutam contra as incongruências dos códigos civis e penais que estabelecem legalmente as diferenças entre sexos, nas liberdades, nas oportunidades, nas heranças e nas clausulas de salvaguarda que protegem sempre o violador colocando o ónus na violada, pela forma como se veste, como anda do verbo andar e como "anda do verbo acompanhar"! O meu respeito a todos/as aqueles e aquelas que se disponibilizaram a "queimar as próprias asas" para os outros poderem voar mais alto).

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Futebol – Uma proposta

O futebol voltou a trazer-nos maus exemplos. Casos recentes, envolvendo crianças adeptos de clubes visitantes, vítimas da raiva de adeptos locais voltaram a chamar a atenção para o clima que se vive, com triste frequência, nos estádios de futebol. Para quem, como eu, é um adepto de futebol com presencia assídua nos estádios isto tem tanto de triste como de pouco surpreendente. São quase mais os cânticos ofensivos contra as equipas visitantes do que os cânticos de apoio à equipa da casa. São mais as agressões verbais contra árbitros e atletas, incluindo os da casa, do que os festejos com os golos ou entusiasmo com as jogadas mais belas.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Desconcentrar, descentralizar, regionalizar

Quando, em 2017, António Costa chegou a anunciar a deslocalização do Infarmed para o Porto e o projeto caiu rapidamente por terra, um inquérito aos trabalhadores concluiu que 82,7% não estariam dispostos a mudar de local de trabalho. O mesmo estudo perguntou como avaliavam a eventual mudança de localização do serviço e percorrer o anexo em que são fundamentadas as 98,9% de respostas que consideraram que a instalação fora de Lisboa seria "negativa" para a missão e desempenho do Infarmed é toda uma viagem ao país profundamente centralizador que somos.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Pedrógão: a culpa e a responsabilidade

Foram cinco anos, longas audições de testemunhas, relatórios técnicos, tudo somado a muita emotividade em torno daquele que foi o incêndio mais mortal de sempre no país. Ontem chegou o dia do decisivo acórdão, que considerou não ser possível estabelecer uma relação de causa-efeito entre a conduta de cada um dos arguidos no processo de Pedrógão Grande e as mortes de pessoas apanhadas pelas chamas, tendo todos eles sido absolvidos pelo Tribunal de Leiria.

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Crónica de El-Rei D. Carlos III

Carlos III é um homem preparado para reinar, mas é um príncipe com passado. Por causa das causas que defendeu, dos discursos que fez, das posições que tomou, das convicções firmes que assumiu em matérias como o ambiente, a sustentabilidade, a construção e os apoios sociais. Foi, portanto, um príncipe com opinião e ação o que, como se sabe, está vedado a Suas Altezas Reais. Ter opinião e, com base nela, agir. Ao contrário do que Isabel II conseguiu fazer durante um reinado de 70 anos, porque não se conhecem posições, opiniões, estados de alma ou embirrações da Rainha.