150 Milhões por cinco semanas!

Na passada semana, foi tema esmiuçado, a suspensão da entrega dos manuais escolares, cedidos temporariamente pelo Governo, no âmbito da política de reutilização.

As direções executivas organizaram-se no sentido de acolher, da melhor forma possível, os encarregados de educação e/ou alunos, agendando a respetiva entrega, turma a turma, envolvendo inúmeros professores, assistentes técnicos e operacionais, e uma programação superiormente definida, atendendo aos embaraços por demais evidentes.

Empreitada interrompida abruptamente, pois, à exceção do partido que sustenta o Governo, todas as forças partidárias votaram a favor da descontinuação da entrega, alegando que os manuais irão ser necessários no início do próximo ano, mais especificamente nas cinco primeiras semanas, durante as quais os docentes deverão retomar conteúdos e consolidar matérias. Assim, estas aulas iniciais serão "destinadas à recuperação de aprendizagens, de modo a colmatar eventuais perdas que tenham acontecido no último ano letivo, devido aos constrangimentos resultantes da Covid-19."

Já teci algumas considerações anteriormente acerca desta matéria e reitero o meu ponto de vista. Como disse em declarações à Agência Lusa: "É andar a brincar às escolinhas. Independentemente do mérito da proposta de entrega de manuais, o 'timing' que escolheram é um 'timing' político e não o 'timing' das escolas".

É comummente aceite a resposta dada pelos estabelecimentos de ensino nos últimos meses, superando, com nota máxima, o colossal encabulamento com que os profissionais da Educação se depararam, torneando-o com relevância. Mereciam este veredicto? As escolas terão o dobro do trabalho, com a obrigatoriedade da movimentação ao mesmo local, numa altura desaconselhada e de preparação do próximo ano letivo, com todas as vicissitudes que são públicas.

Certas questões emergiram, na sequência desta deliberação. Por que razão esta decisão não foi conhecida atempadamente, ou seja, antes do início do processo de devolução dos manuais? Os políticos cuidaram de perceber o seu alcance e as consequências nas organizações educativas? Os docentes solicitaram a adoção desta medida? Asseguraram-se da possibilidade de, num curto espaço de tempo, as editoras produzirem milhares de manuais, missão com a qual não contavam? Será justificável, por cinco semanas, o Estado despender dezenas de milhões de euros?

Ainda que esta determinação tivesse sido uma vitória política para alguns, importa que os partidos priorizem ações concertadas, por forma a não provocar danos numa área que todos defendem ser das mais importantes.

A Educação não merece ser presenteada com o propósito aqui explanado, fazendo crer à opinião pública a inexistência de outros instrumentos de trabalho usados pelos professores, no apoio à sua atividade, para além dos manuais... por escassas semanas.

Havia necessidade disto?

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