A arma do consumo

A "vingança do consumo" ou o chamado "consumo por vingança" é um conceito que surgiu na década de 80 na China, relacionando o comportamento pós-Revolução Cultural ao crescimento súbito do consumo no país após a reabertura dos mercados. De repente, o consumo massivo eclodiu, após um período de longa privação de compras e visitas a espaços comerciais. Os economistas analisaram o movimento como uma tendência económica. Em 2022, a tendência volta a ganhar nova vida.

Com o bom tempo de primavera-verão, os portugueses voltam a encher as ruas e esplanadas e a consumir em maiores quantidades. Depois de confinados ou semiconfinados por mais de dois anos, os cidadãos anseiam por recuperar todo o tempo perdido, aproveitar melhor a vida, conviver com a família e os amigos. A vingança do consumo está à solta nas ruas, mas poderia estar muito mais se não fosse o impacto negativo da guerra da Ucrânia na economia portuguesa.

Presidentes executivos de empresas, governantes e líderes de muitas outras organizações referem, em coro, que até há cerca de 100 dias estavam com altíssima expectativa quanto ao consumo e à forma como este poderia ajudar a recuperar as contas ainda fragilizadas pelos efeitos pandémicos dos últimos dois anos e, claro, pôr a economia a crescer mais.

A vingança do consumo era encarada como uma espécie de tábua de salvação até ao primeiro trimestre, mas hoje - assistindo à devastação da Ucrânia e à guerra das matérias-primas e alta taxa de inflação - muitos já se questionam se será a arma eficaz e suficiente contra os efeitos do coronavírus SARS-CoV-2 e do conflito na Europa. Aliás, começam a temer que essa arma não dispare as balas suficientes nem certeiras para inverter dois anos negativos para muitos. Mesmo que não seja suficiente, será, certamente, uma arma fundamental para continuar a manter a cabeça à tona de água.

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