A bola é minha, ninguém joga

António Costa faz bem em concentrar-se no combate à pandemia e faz bem em elogiar todos os que se uniram, oposição incluída, neste combate. António Costa não devia, aliás, ter antecipado o debate sobre as presidenciais, nem forçado os seus camaradas de partido a entrarem num jogo que ninguém pediu.

De uma Comissão Política de que há relatos exaustivos e com pormenores da intervenção do líder socialista ao ponto de ficarmos a saber que o otimismo virou realismo, mas que esse realismo não o impede de sonhar que vai ter da oposição a mesma colaboração para combater a crise económica que já se faz sentir. Dessa Comissão Política, dizia, também há relato de socialistas que quiseram saber mais sobre o apoio do PS à recandidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. E mais sobre o que fazer se Ana Gomes avançar.

A este propósito escreveu Francisco Mendes da Silva no Twitter que "Costa tem muitos defeitos, mas não o de não saber aproveitar uma bola a saltitar à sua frente para rematar à baliza", enumerando de seguida tudo o que Costa pode ganhar com este anuncio de apoio a Marcelo. Olhando para a reunião de ontem dos dirigentes socialistas e retomando as metáforas futebolistas, dá a sensação de que António Costa marcou de baliza aberta. E ontem, qual dono da bola, agarrou nela e quis proibir todos os outros de jogar.

No PS, como no PSD, acontece com muita frequência, quando estão no poder, seguem a pauta estabelecida, se o chefe se zanga com um ministro, todos se zangam, se faz as pazes, todos fazem. Se o chefe fala a destempo das presidenciais, todos estranham, mas poucos o dizem. Se o congresso é adiado para depois destas eleições, todos aceitam.

Ana Gomes, Francisco Assis, Manuel Alegre não têm assento na reunião que ontem aconteceu no largo do Rato. Estes e outros militantes do PS que não gostaram de ver Costa anunciar o apoio a Marcelo fizeram-se ouvir na altura. Veremos se eles entendem que se devem calar. Uma coisa é ser o dono da bola, outra bem diferente, como diz Ana Gomes, é "o PS ser o partido do Costa". Congresso para discutir este assunto, parece ponto assente que não há. A conversa terá que ser feita em andamento, na praça pública. É o que se pede, quando o tema é uma candidatura presidencial e não é preciso pedir licença a ninguém.

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