A diferença entre importante e determinante

Em apenas duas jornadas aquilo que indiciava ser a consolidação de uma liderança rumo ao título transformou-se numa incógnita. O Sporting perdeu quatro pontos em dois jogos consecutivos, FC Porto e Benfica não se distraíram, e agora os leões têm em Faro uma partida que muda de nível: passa de importante a determinante.

Claro que seis pontos de avanço a oito rondas do fim do campeonato continuam a constituir uma almofada confortável e o Sporting não deixou de ser o candidato número um. A questão é outra e, uma vez mais, sobra para Ruben Amorim a forma como deve gerir a situação.

Quando se entrou no bloco final (dez jornadas) para as decisões, a única coisa que faltava perceber era se os leões saberiam aguentar animicamente um qualquer sobressalto que pudesse surgir neste período. Ora, face ao sucedido, tornou-se evidente que a ansiedade começou a ganhar terreno à medida que a prática não correspondia às intenções.

O Farense está num quadro muito difícil, tentando manter-se à tona de água dê por onde der, o que só complica a vida aos homens de Alvalade. Mas o Sporting tem tudo para ultrapassar este antagonista, basta-lhe manter a cabeça fria e retomar um certo grau de eficácia. Sendo que uma coisa está diretamente ligada à outra como já se percebeu...

Acresce que, desta vez, Amorim não estará no banco. Mais um episódio a juntar a outros, como a novela-Palhinha, que ainda pode dar mais pano para mangas. Atendendo a que a justiça desportiva está cada vez mais perto de um desagradável cocktail de incongruências - mas isto daria para uma outra conversa -, o que deve verdadeiramente preocupar o grupo de trabalho leonino é o foco neste desafio.

A conquista do título pode depender bastante da inversão deste ciclo sem triunfos. Porque, se não o fizer agora, corre o risco de confirmar a clássica tese de Nietzsche segundo a qual quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo começa a olhar para nós. É fácil de perceber.

Passemos então à secção de FC Porto e Benfica que há duas jornadas estavam centrados na corrida pelo segundo lugar, mas que, agora, já admitem que algo mais possa acontecer. Só têm de se manter no papel dos perseguidores que não dão tréguas.

O FC Porto, tal como os restantes, passa a focar-se em exclusivo no campeonato, depois de terminar a carreira na Liga dos Campeões. No entanto, esta campanha constitui uma das marcas dos dragões nesta temporada, porque foram aos limites (quartos de final) e, principalmente, porque deixaram uma imagem forte perante um Chelsea que nada em milhões. Pelo desempenho que tiveram neste duelo com os ingleses, não será apenas o golo monumental de Taremi que ficará nos registos.

Logo, o FC Porto está em alta e, nesta altura, demonstra ter capacidade (e vontade) para atormentar o Sporting até onde for possível. Assim, esta deslocação ao terreno do último dificilmente não será aproveitada para somar os três pontos da ordem.

O Nacional, noutros momentos, foi um quebra-cabeças para o FC Porto, mas atualmente vive um dos piores períodos desde há largos anos. Sérgio Conceição só tem de deitar mão dos trunfos (e no plantel há muitos) para resolver o assunto.

De alguma forma o mesmo pode dizer-se do Benfica em termos internos. Joga na Luz com o Gil Vicente, está num momento em que as vitórias se mantêm numa cadência que as águias não tinham há algum tempo, a consistência defensiva (a três ou a quatro) tem apresentado resultados e, do ponto de vista ofensivo, há um crescimento evidente. Sendo que a isto não será alheia a recuperação da veia goleadora de Seferovic.

A equipa de Barcelos, por seu lado, está relativamente tranquila a meio da tabela, embora ainda sem poder respirar de alívio porque a proximidade pontual para os que estão abaixo requer algum cuidado. Quer isto dizer que os gilistas vão à Luz dar a resposta possível que passa por tentar pontuar. Falta saber se têm argumentos para tal.

Mais atrasado que FC Porto e Benfica está o Braga. Mas atrasado para um segundo lugar, não para tentar o pódio. Essa hipótese continua em aberto, mas obriga a passar o Rio Ave em Vila do Conde. Caso contrário...

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