A esquerda tem um bom pretexto

As esquerdas têm a obrigação, depois das justas críticas que fizeram a Maria Luís, de avançar com um projecto de lei que não deixe dúvidas sobre a incompatibilidade desta transumância público-privada. Não nos venham contar histórias do passado. É agora que têm maioria.

As esquerdas estão bastante incomodadas com o novo emprego da ex-ministra das Finanças, numa empresa que ela não tutelou, nem atribuiu dinheiros públicos no exercício das suas funções e, portanto, dificilmente estará ilegal. Mas as esquerdas têm razões fundamentadas para estarem incomodadas, como qualquer cidadão. Então, alguém pode achar normal que uma ex-governante vá ganhar dinheiro para uma empresa que ganha dinheiro com a desgraça que aconteceu no seu consulado e que tem de ser paga pelos contribuintes portugueses? Adiante. Nem vale a pena fazer essa discussão com Maria Luís Albuquerque, porque é evidente que ela faz parte de um grupo que se defende com a lei para tentar convencer todos os outros que dinheiro na carteira é muito melhor que ética e vergonha.

A minha conversa é mesmo com as esquerdas. E se o PS, Bloco e PCP andassem depressinha e apresentassem um diploma mais restritivo sobre o que pode e não pode fazer um ex-governante e, já agora, sobre que empregos e quantos podem os deputados acumular no exercício de funções? Para que não pareça populismo, que não é, talvez valesse a pena iniciarem também a discussão sobre o salário dos políticos, que os demagogos dizem ser muito bons, mas que os salários no privado mostram que não é bem assim. É que a alternativa é viver eternamente a achar normal que o pagamento da actividade política seja feito à posteriori pelos privados que ganham dinheiro com o Estado.

As esquerdas têm a obrigação, depois das justas críticas que fizeram a Maria Luís, de avançar com um projecto de lei que não deixe dúvidas sobre a incompatibilidade desta transumância público-privada. Não nos venham contar histórias do passado. É agora que têm maioria.

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