Sete por cento

Os partidos e as suas lideranças tendem a publicamente desvalorizar todas as sondagens quando elas lhes são favoráveis e a atacá-las quando são desfavoráveis. Mas nunca como nesta campanha eleitoral os estudos de opinião têm sido tão usados como instrumentos políticos, levando à mudança de comportamentos e de posicionamento em relação à governabilidade, à respetiva política de alianças, mas sobretudo, e mais grave, à clareza das propostas programáticas.

Vimos candidatos a recuarem e a avançarem conforme o interlocutor ou os números em áreas tão relevantes para a nossa vida como o sistema de financiamento das pensões, estritamente público ou misto, o Serviço Nacional de Saúde, com mais parcerias privadas no acesso, mantendo o que está mas mais bem gerido, ou até sobre o aumento do Salário Mínimo Nacional. Isto sem esquecer o outro lado: da traição ao pedido da maioria absoluta foram quatro dias, da queda nos números ao diálogo outros quatro.

Possivelmente, teria sido benéfico para o país que as sondagens indicassem uma diferença superior a sete por cento das intenções de voto entre os principais candidatos a primeiro-ministro para pelo menos acomodar o desvio padrão, que costuma ser de quatro por cento.

Teria, insiste-se, evitado tantos ziguezagues. Sucede que os estudos de opinião mais recentes não têm dado essa margem de conforto, mesmo para quem não quer saber de sondagens. E aproximamo-nos do dia 30 com tendências tão dispersas e tanto pingue-pongue que os eleitores vão menos esclarecidos às urnas do que estavam antes de começar a campanha.

Políticos com espessura e convicções fortes não tremem no coração das suas propostas em função de estarem dois por cento à frente ou atrás. Acreditam e esperam que elas surtam efeito em urna. E essa estirpe de políticos é fundamental para o futuro do país.

*Texto atualizado às 09h45

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