A missão de defender o trono

Isto de sermos os reis da Europa há cinco anos faz com que encaremos de forma muito diferente o Euro2020 que agora começa. Nunca tínhamos estado nesta situação - dois títulos de rajada, Europeu e Liga das Nações - o que faz com que os olhos do mundo do futebol vejam a seleção de Fernando Santos como um problema e, simultaneamente, um desafio. E Portugal como vai responder?

Para que não haja dúvidas, vamos deixar claro que os reinados no Velho Continente são de curta duração. O mais longo pertence à Espanha, única vencedora em duas edições consecutivas, mas uma Espanha deslumbrante e inédita no contexto global que, de resto, até juntou um título Mundial pelo meio. Tirando isto, ninguém conseguiu sentar-se no trono mais do que quatro anos. Portugal chega aos cinco, é verdade, mas as razões não são exatamente desportivas como sabemos.

É, pois, neste cenário que a seleção nacional entra na aventura insólita de um Europeu distribuído por aqui e por ali, com as sedes definidas no início (Budapeste e Munique no nosso caso) e no fim (Londres), mas sem se fazer a menor ideia de como será no meio.

Tem-se discutido se este lote de 26 jogadores tem uma qualidade superior aos 23 que ganharam em Paris, mas não creio que seja um assunto propriamente relevante. Até acho que sim, embora reconheça que isso pode não ser determinante para o objetivo desejado. A coesão, os princípios, a disciplina tática e muita cabeça fria terão certamente mais peso quando se pretende uma campanha longa.

Não espero exibições de "encher o olho", até porque Fernando Santos - e com razão - quer trabalhar para resultados positivos e não apenas para entreter a plateia, mas acredito que o coletivo português, com o acréscimo que as individualidades lhe podem dar, fará devidamente o seu papel, ou seja, dar tudo o que puder para defender o título. O que significa manter-se em prova até ao limite.

Os particulares de preparação valem o que valem, mas os desafios com Espanha e Israel serviram para o selecionador testar tudo o que era preciso e, deste ponto de vista, valeram a pena. Falta saber quais os onze que alinharão frente à Hungria sendo que grande parte deles são óbvios face àquilo que já se viu.

Para lá de Rui Patrício na baliza, João Cancelo, Pepe e Ruben Dias têm lugar garantido na defesa, Bruno Fernandes no meio campo, Bernardo Silva, Diogo Jota e Cristiano Ronaldo na frente. Como se vê, faltam poucos para completar o puzzle, sendo que William Carvalho, uma preferência de sempre de Fernando Santos, será muito provavelmente outro dos prioritários.

Assim, falta saber se o selecionador optará por Raphael Guerreiro em vez de Nuno Mendes na lateral esquerda (é o meu palpite) e se Danilo se junta a Bruno e William no meio campo (possível, se bem entendo a lógica de Fernando Santos). Seja como for, este lote de convocados dá para tudo. Pode transformar um 4x2x3x1 em 4x4x2 ou 4x3x3 num abrir e fechar de olhos com alternativas para todas as situações.

Importante mesmo é entrar a vencer. Num grupo com o maior grau de dificuldade de todos, ficar abaixo dos quatro pontos pode constituir um risco tremendo, Logo, somar três a abrir pode ser decisivo para o apuramento, até porque Alemanha e França não podem as duas triunfar na jornada inaugural.

Só que pode não ser simples para Portugal, apesar de a Hungria estar vários degraus abaixo da equipa nacional. Com dois jogos em casa, os húngaros contam com um estádio cheio (outra diferença deste Europeu, apoio esmagador para uns, mas diluído para outros) e uma enorme vontade de, pelo menos, passar a fase de grupos. Conclusão: para nós, a defesa do título começa no primeiro duelo. Literalmente.

Simplesmente, este Europeu não se resume ao campeão em título. Sim, há os outros, os que estão empenhados em garantir uma sucessão se Portugal não resistir até ao fim. Nada de novo nos Campeonatos da Europa onde, tradicionalmente, há sempre uma meia dúzia de candidatos. Desta vez, a pole-position caberá à França (de volta com Griezmann, Mbappé e Benzema), mas a Alemanha, à procura do ressurgimento, Espanha e Itália, com trunfos próprios, e Inglaterra e Bélgica, que andam a prometer há muito tempo sem o conseguirem, também vão "andar por aí".

Enfim, divirtam-se. No fundo, o que todos queremos é bom futebol.

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