A noite de Rui Rio

Rui Rio será recandidato à liderança do PSD. O segredo chama-se "inversão da tendência de declínio", criando no eleitorado e nos militantes a narrativa da recuperação. Só precisa de conquistar mais eleitos (o resultado em Lisboa contará muito), ou uma ou outra autarquia ao PS (Coimbra ou Funchal seriam vitórias relevantes), ou ainda somar votos no eleitorado urbano para se posicionar, mais uma vez, como o grande vencedor, mesmo perdendo eleições. Caso de estudo da ciência política.

Façamos um exercício de memória. Rui Rio foi o único líder do PSD a admitir perder nas legislativas, porque o determinante, segundo a sua estratégia, era ganhar as autárquicas. Ao fim de quatro anos de liderança, de duas eleições de âmbito nacional perdidas (europeias e legislativas), conseguir o exercício de vender cara a pele é de louvar.

Por menos, Santana Lopes foi acusado, pelo atual líder do PSD, de ter sofrido uma derrota abissal. O mesmo resultado que Rui Rio obteve nas legislativas de há dois anos, e que para ele já fora uma grande vitória.

As contas serão desfiadas durante toda a semana pelos seus braços direitos com o aparelho dos sociais-democratas, ajudando a criar essa dinâmica. E não há dúvidas de que Rio sabe fazer contas para conquistar o PSD. Mas possivelmente o que os eleitores esperariam de um partido que é estrutural na vida democrática portuguesa é que o seu líder já tivesse sabido fazer as contas de como mobilizar e ganhar o país.

O grande desafio é, portanto, perceber quem existe no PSD para além de Rui Rio. E as alianças que Paulo Rangel, Luís Montenegro, Miguel Pinto Luz ou Jorge Moreira da Silva serão capazes de fazer para primeiro ganhar o partido e depois conquistar o país.

Estes sim precisam, primeiro, de saber fazer contas para liderar o principal partido da oposição.

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