Abalo na justiça e na política portuguesa

A Operação Marquês fará história na justiça e na política em Portugal. E não é apenas pela lentidão do processo, que durou cerca de sete anos. Mas fará história também porque, pela primeira vez, um juiz afirmou que há um primeiro-ministro em Portugal que foi alvo de corrupção passiva ou, por outras palavras, foi corrompido. E o juiz usou até a expressão "compra de personalidade" - e fez questão de o dizer publicamente, mesmo sabendo que o crime de corrupção já tinha prescrito. Por isto mesmo, este caso de justiça fará história.

Por outro lado, poderá ficar na memória de muitos portugueses também por outros motivos. Por exemplo, pelos grandes números que envolve: Sócrates estava acusado de 31 crimes e foi pronunciado em apenas seis crimes; toda a Operação Marquês tinha registo de 188 crimes e só 17 vão a julgamento. Mais: dos 28 arguidos, só 5 serão julgados.

É certo que o processo não deverá ficar por aqui, até porque o Ministério Público já informou que vai recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa. Mas, ficando ou não por aqui, o abalo na justiça é gigante e a imagem que passa da justiça para a opinião pública não é positiva.

Após quase sete anos de espera, o que ontem ficámos a saber, pela voz do juiz, pode parecer pouco, muito pouco...

Além disso, o juiz arrasou a acusação do Ministério Público e não será normal uma tão grande divergência entre a acusação e o ato de fazer cair uma grande parte da acusação. Uma coisa é certa: o caso deixa um forte abalo na justiça e na política portuguesa.

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