Acaba a emergência. Começa a calamidade

Boa tarde. Não adianta alimentar grandes expectativas: o estado de emergência vai mesmo acabar, mas a nossa vida vai continuar praticamente na mesma. E tem mesmo que ser assim porque a pandemia ainda não está vencida. Vamos aos números que mostram isso mesmo.

Os números mais recentes

É o número mais baixo das últimas três semanas: em Portugal morreram 20 pessoas, nas últimas 24 horas, vítimas da Covid-19. Ao todo são agora 948 óbitos desde o início da pandemia e há agora 24.322 infetados. Já há quase 1400 pessoas recuperadas da doença.

Em Espanha o número de mortos voltou a cair para 301 nas últimas 24 horas. E o número de casos recuperados cresceu, novamente. Até agora recuperaram da Covid-19 mais de 102.500 pacientes.

No resto da Europa, enquanto na Bélgica a pandemia continua em crescendo - mais de sete mil mortos -, em França o confinamento só começa a aliviar a partir de 11 de maio e o Governo decidiu que o campeonato de futebol não regressa esta época. A Áustria, por outro lado, já está a preparar o fim do confinamento a partir de 1 de maio.

Em sentido contrário, no Estados Unidos, registaram-se mais 1303 mortos, que somam às mais de 56 mil vítimas mortais. O número de infetados também voltou a subir e está cada vez mais próximo de um milhão.

Trump decidiu, por isso, manter as fronteiras fechadas, pelo menos enquanto a situação não melhorar na Europa. Mas quer reabrir as escolas. E continua a colecionar disparares. Sabe-se agora que o Presidente americano ignorou mais de uma dúzia de alertas dos serviços secretos sobre a Covid-19. Aparentemente, Donald Trump não tem muita paciência para ler relatórios.

No Brasil há já 4543 mortes confirmadas e mais de 66.500 casos de infeção.

Em todo o mundo, o vírus já matou 208.973 pessoas e infetou quase três milhões. Portugal é o 18.º país com mais óbitos e mais infetados.

O que se passa no terreno

Um grupo de cientistas norte-americanos uniu-se para desenvolver respostas à pandemia. O relatório tem recomendações sobre tratamentos, vacinas e as melhores estratégias para reabrir a economia.

Em Oxford acredita-se que a vacina contra a Covid-19 pode estar mais próxima do que se imaginava. E que pode chegar ao mercado já em setembro. Os testes em macacos foram promissores.

Ainda no terreno, continuam a surgir provas diárias da solidariedade dos portugueses. Vários proprietários de alojamentos locais estão a ceder as suas instalações aos profissionais de saúde. Sem cobrar um cêntimo.

O que a política está a fazer...

Está decidido. O estado de emergência acaba no próximo dia 2 de maio. O que não significa que a vida volte ao normal. Depois de mais uma reunião com especialistas, no Infarmed, o Presidente da República anunciou que não vai renovar o estado de emergência, mas lembrou que isso não significa o fim do surto.

Na mesma reunião participaram os partidos políticos com assento na Assembleia da República. O PS pede que não se confunda o aumento do número de contágios com o levantamento progressivo das restrições. O PSD pede equilíbrio ao Governo entre as medidas de confinamento e as medidas económicas. O CDS exige um plano seguro e claro. O PCP, que aguarda pelo levantamento de algumas medidas, está expectante com o que o Governo vai apresentar. O Bloco de Esquerda exige mais medidas sociais no pós-estado de emergência. E o PAN mostra algumas reservas com o fim do estado de emergência. Tal como o Iniciativa Liberal, de resto.

O primeiro-ministro reuniu-se hoje com os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol, da Liga de Clubes e dos três grandes para discutirem o regresso do campeonato.

Desemprego, lay-off e o que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social está a fazer para responder a esta crise. Perguntas que têm resposta na entrevista de Ana Mendes Godinho, à TSF, conduzida pelo Ricardo Alexandre.

Ana Medes Godinho que recebeu, esta semana, um conjunto de perguntas do PAN sobre a aplicação do lay-off na comunicação social.

... e como tudo isto mexe com a economia

O motor da Europa gripou. A economia alemã contraiu 16% desde o início do confinamento.

Farto de esperar pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu quer ir mais longe nas medidas de apoio à Zona Euro e deve anunciar esta quinta-feira novas iniciativas para ajudar os Estados-membros a ultrapassar esta crise.

Por cá, cabeleireiros, cafés e restaurantes garantem estar preparadíssimos para retomar a atividade. A Maria Augusta Casaca falou com alguns pequenos empresários, no Algarve, e constatou que os preparativos para a reabertura de portas já estão a ser feitos.

Em Braga, o que parecia ser um lay-off parcial, afinal é um lay-off total. Uma mudança de estratégia da Bosch que deixou os sindicatos perplexos.

Sem futebol, não há pagamento. A Altice decidiu suspender os pagamentos aos clubes da I e II Ligas de futebol em abril.

E, se a pandemia da Covid-19 não for controlada até 2021, os Jogos Olímpicos podem mesmo vir a ser cancelados.

Apesar da crise, ainda se fazem negócios. E este é dos grandes. O grupo José de Mello e a Arcus acordam a venda de 81,1% da Brisa a holandeses, coreanos e suíços.

Informações que lhe podem ser úteis

É um alerta muito importante: os Médicos de Saúde Pública pedem que utentes se vacinem e não fujam do SNS com medo da pandemia. Num estudo publicado na revista científica da Ordem dos Médicos explicam que o excesso de mortalidade em Portugal desde o início da pandemia de Covid-19 pode chegar aos quatro mil óbitos.

Se é trabalhador independente e viu a sua atividade reduzida fique a saber que o Estado começou hoje a pagar os apoios prometidos.

E atenção aos horários dos comboios. A CP decidiu suspender os trajetos de longo curso entre 1 e 3 de maio.

Sugerimos ainda que...

Na opinião, Daniel Oliveira fala sobre a rádio que mudou a rádio: "Quem criou a TSF salvará a TSF". E o Germano Almeida escreve que "nem lixívia desinfetava esta presidência contaminada".

O Fernando Alves pergunta se "podemos enfrentar o medo com elegância poética" em mais uns "Sinais".

Recomendo ainda a conversa da Teresa Dias Mendes com o nutricionista João Rodrigues. Porque se é verdade que também somos o que comemos, o que comemos em quarentena é ainda mais importante. E, já sabe, "Um dia de cada vez".

E, claro, temos sempre por aqui o Bruno Nogueira e o João Quadros para nos animar o final de dia. O "Tubo de Ensaio" de hoje é sobre o "Big Brother 2020".

Até amanhã.

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