Agora em Munique, o segundo andamento

Segue-se a Alemanha. Outro patamar, sim, mas nada que encaixe na lista dos impossíveis para a seleção nacional. Portugal cumpriu o primeiro objetivo no Europeu e fê-lo bem. Um campeão que quer defender o título tem de atuar exatamente assim. Triunfo categórico em Budapeste, com estádio cheio, não é um feito menor.

1 - Seguindo esta saga de alinhar no terreno dos adversários, a seleção vai defrontar a Alemanha em Munique já com o pensamento nos oitavos-de-final. O desafio inaugural era o da garantia dos mínimos olímpicos (três pontos), este é o da oportunidade de eventualmente confirmar um apuramento. E um ponto até pode chegar, pois um total de quatro deverá ser suficiente para, na pior das hipóteses, figurar na lista dos melhores terceiros.

Continuando eu convencido de que o trio França/ Alemanha/ Portugal permanecerá em prova, convém olhar para a partida do Alianz Arena nas duas perspetivas.

A alemã obriga a uma vitória, uma vez que seleção de Joachim Low não quererá chegar a zero (ou somente com um ponto) à última jornada, mesmo tendo pela frente nesse jogo a Hungria, o elo mais fraco do grupo. Não vencer agora seria para a Alemanha o reforço das inseguranças que ficaram à vista na partida inicial (bem) ganha pela França.

A visão portuguesa é, naturalmente, diversa. Jogamos com dois resultados - triunfar é melhor que empatar, mas em apenas três rondas não nos podemos fazer de esquisitos perante alemães e franceses - e temos a vantagem de não nos sujeitarmos a uma pressão maior do que este duelo já encerra. Portugal segue à frente da Alemanha, portanto, é o nosso adversário que tem de procurar sair desta situação.

Quer isto dizer que a seleção nacional não deve preocupar-se em ganhar? Pelo contrário, tem de pensar que esta partida pode colocar-nos de imediato na fase seguinte se voltarmos a somar três pontos.

Posto isto, compete a Fernando Santos procurar as soluções para um desafio em que, pela lógica, haverá mais bola na posse alemã, mas em que também podem estar criadas as condições para as transições ofensivas de Portugal com os proventos que daí podem derivar se forem bem aproveitadas.

É também por isto que acho possível que o selecionador não apresente o mesmo onze de Budapeste, mesmo que as alterações sejam mínimas como o comum bom senso sugere. Falo, sobretudo, do meio campo.

Seja como for, este pode tornar-se num jogo de afirmação de Portugal. O nosso histórico com os alemães é o que se sabe, mas o passado já nos trouxe o célebre golo de Carlos Manuel e o hat-trick de Sérgio Conceição. Logo, compete a esta geração de luxo demonstrar que, mesmo sendo onze contra onze, no final nem sempre ganha a Alemanha.

2 - Bloco-notas, primeira semana. Registos para lembrar mais tarde.

- Christian Eriksen pregou-nos o maior susto de que há memória num Europeu de futebol. O extraordinário trabalho dos médicos salvou-lhe a vida, mas ninguém mais vai esquecer aqueles minutos de angústia que milhões sentiram ao ver as imagens em direto. Não sei se o dinamarquês voltará a jogar, nem isso importa. Porque o verdadeiro triunfo foi conseguido.

- A Itália foi a primeira seleção a seguir para oitavos. É uma nova era aberta por Roberto Mancini, depois do fiasco que constituiu a ausência do último Mundial. Ganhar duas vezes por 3-0 já é importante, mas o facto é que esta equipa consegue ser brilhante em quase todos os momentos do jogo. Tem grandes artistas e sabe usá-los. Logo se verá até onde.

- Bélgica e Países Baixos (estes com o grupo ganho) também já seguiram em frente. Nem precisaram de encantar como os italianos, limitaram-se a desempenhar bem o papel que se lhes exigia. Começa a ser plausível uns oitavos escaldantes com vários desafios de desfecho imprevisível.

- Nesta fase, há os que jogam sempre em casa, os que jogam quase sempre em casa e os que nunca jogam em casa. Mesmo entre os visitados, uns têm direito a lotação esgotada e outros a lotação limitada. Ter um país (ou dois) como sede é uma coisa, ter onze é algo muito diferente. As desigualdades deste Campeonato são imbatíveis a vários níveis. E palpita-me que as embrulhadas não vão ficar por aqui...

- É o golo deste Europeu porque, confesso, não estou a ver mais alguém a desferir um pontapé tão certeiro a 45 metros da baliza. Patrik Schick viu o quadro e executou com perfeição total o segundo golo checo à Escócia. Num torneio destes fica sempre bem um golo chique.

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