A(r)mar os guerreiros

A comunidade científica contribui para que a já complexa missão do primeiro Ministro se tornasse ímproba e controversa, não tendo existido consenso em relação a manter as escolas abertas para os alunos do 3.º Ciclo e do secundário. Curiosamente, os partidos políticos convergiram em reafirmar o ensino presencial, opinião partilhada pela maioria da comunidade educativa.

Assim sendo, a vida nas escolas continuará igual, não se constatando alterações, quer no superior quer nos ensinos básico e secundário. Para tal, pesou seguramente o facto de o elevador social - atributo essencial da escola - ter assumido o sentido ascendente apenas para alguns alunos, tendo descido vários pisos para muitos, com marcado prejuízo das aprendizagens, ou porque não realizadas ou porque deficitariamente adquiridas.

Entrado Portugal em novo confinamento geral, os professores e o pessoal não docente persistem (empurrados) na linha da frente da guerra contra tão inclemente pandemia. Os riscos que este desafio suscita obrigam a munir os guerreiros de armas capazes de combater um inimigo invisível e resistente, e que devem ser exigidas aos decisores políticos.

Identifico quatro medidas que urge instituir no mais curto espaço de tempo possível:

- Disponibilização de testes antigénio (testes rápidos) - após aprovação, o Governo declarou em novembro passado a possibilidade de aplicar testes rápidos à covid-19 nas escolas; tratou-se, contudo, de um anúncio vapor, que se esfumou mal foi proferido, tendo sido ressuscitado na última conferência de imprensa após reunião do Conselho de Ministros, pela mesma voz, a de António Costa. Pergunta-se: quando e em que circunstâncias serão aplicados? As expetativas (positivas) criadas nas comunidades escolares obrigam os responsáveis políticos a não voltar a defraudá-las;

- Prioridade na vacinação - não pretendendo usurpar o lugar de ninguém, muito menos dos grupos prioritários, é necessário validar os profissionais das escolas dentro do grupo dos serviços essenciais; a justiça desta vital decisão é elementar, uma vez que aumenta o ânimo e reconhece o trabalho incansável dos professores e funcionários corajosos que ambicionam o apoio e a consideração de quem os tutela;

- Contratação de 3.000 assistentes operacionais - divulgado em meados de outubro, fruto da revisão da portaria dos rácios, o reforço do número de funcionários é ainda uma miragem, aguardando-se decisão do ministro das Finanças, a quem compete autorizar a abertura dos respetivos procedimentos concursais; a urgência do cumprimento desta deliberação ganha maior relevo pelas exigências que a manutenção da segurança e dos planos de contingência convocam;

- Acompanhamento - a evolução da situação pandémica nas escolas deve merecer um seguimento de enorme proximidade por parte da autoridade de saúde local, mas principalmente e ademais dos decisores políticos, na obrigação de se fazer uma reavaliação periódica das circunstâncias verificadas ao nível concelhio, permitindo-lhes assim ajustar ou alterar o plano de ensino em vigor.

A confiança depositada na Educação reposicionou os respetivos profissionais na linha da frente, impondo a adotação de soluções excecionais, em tempos atípicos, que os auxiliem nesta luta desigual, armados dos instrumentos/recursos que mitiguem as ameaças à saúde de todos e de cada um.

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