As vitórias e derrotas das autárquicas

Daniel Oliveira considera que Rui Rio e o PSD foram os vencedores das eleições autárquicas. No espaço de opinião que ocupa semanalmente na TSF, o comentador sublinha que, apesar de o PS ter mais 35 câmaras do que o PSD, mais votos e mais vereadores, "é impossível não dar a vitória a quem aumentou o número de presidências de câmara em 16, recuperou de uma derrota humilhante de há quatro anos, ganhou Coimbra e Funchal ao PS e Portalegre a um independente".

Na perspetiva do jornalista, para o PSD "vencer Lisboa não foi a cereja em cima do bolo, foi - pela surpresa e improbabilidade - outro bolo inteiro".

O comentador defende que "a esquerda acreditou nas sondagens, desmobilizou e manteve a dispersão", acrescentado que Rui Rio "não tem razão para se queixar das sondagens", pois estas "foram uma grande ajuda", já que, graças às mesmas, "a esquerda julgou que a Câmara de Lisboa estava ganha".

Daniel Oliveira lembra que nestas eleições "Rui Rio jogava de novo a sua liderança" e sublinha que "os opositores internos que já tinham preparado discursos graves e pungentes sobre o futuro do partido tiveram de ficar em casa, e em casa ficarão até às próximas legislativas".

Para o cronista, o outro vencedor, "em versão muitíssimo menos relevante", foi o Chega: "Não elegeu no Porto e em Lisboa, ficou a léguas de ganhar a Câmara de Moura numa batalha em que Ventura se empenhou pessoalmente e a ideia de que poderia sequer beliscar o lugar autárquico do PCP - que ficou com o dobro dos votos, câmaras importantes e muitíssimo mais vereadores - só podia passar pela cabeça de um fanfarrão. Mas elegeu 19 vereadores à primeira, criando uma estrutura nacional, sobretudo no sul."

Quanto aos perdedores, Daniel Oliveira considera que "o Bloco é o derrotado menos relevante da noite", já que "segura Lisboa e Almada, mete um vereador pela primeira vez da sua história no Porto e elege um independente em Oeiras, substituindo a CDU, mas perde os vereadores de Abrantes, Torres Novas, Entroncamento, Vila Franca de Xira, Amadora, Moita, Seixal e Portimão".

Quanto CDU, o comentador faz notar que o partido"perde Loures, o que é mais um tiro no porta-aviões depois de Almada há quatro anos, perde a Moita, que ninguém esperava, e segura Évora por menos de 300 votos". No mesmo plano, Daniel Oliveira lembra que a CDU "não recupera Almada e perde Alpiarça, Alvito, Mora, Vila Viçosa e Montemor-o-Novo, sendo que três deles estavam nas suas mãos desde 1976."

Ainda assim, sustenta, "o resultado satisfatório em Lisboa permite que João Ferreira possa ser o novo líder de um partido em crise".

Daniel Oliveira aponta também para o facto de o PAN e a Iniciativa Liberal não terem conseguido eleger qualquer vereador, nem nos grandes centros urbanos, isto é, "não existem no país", defende.

Quanto ao PS, o comentador sustenta que não se pode dizer que perdeu: "Sim, perdeu Lisboa, Coimbra, Funchal e ficou com menos 12 câmaras - numa campanha em que António Costa participou intensamente e onde a sua sofreguidão pode ter desajudado -, mas continuou em primeiro em todos os critérios. Tem quase metade das autarquias e não se pode ser um derrotado quando se vence claramente. Até porque o seu poder não está, por agora, em causa e as sondagens para as legislativas feitas à boca das urnas dão o PS próximo de uma maioria absoluta. Legislativas que o Partido Socialista disputará contra Rui Rio."

"Domingo foi um dia de surpresas, mas, fora o que acontecerá em cada concelho a começar pela minha Lisboa, não chega a ser um dia de mudança", remata.

*Texto adaptado por Sara Beatriz Monteiro

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