Até que uma Troika nos separe

Bastaria ter lido o El País, no mês passado, dando conta da pressão da Alemanha para que Madrid comece já a comprimir a despesa pública e pondere baixar os gastos com as pensões, bastaria ter olhado para os nossos vizinhos para ficar com a certeza que a receita da Troika estaria de regresso em pequenas doses como forma de pagarmos o almoço que julgávamos grátis.

A bazuca tem um custo, claro que tem, e esse custo, revela-nos hoje o Expresso, implica transformar o primeiro-ministro em capataz do ministro das Finanças para pôr todos os ministérios a controlar a despesa, com particular destaque para a Saúde que investe milhões da bazuca no SNS, mas implica uma reestruturação com ideias tiradas a papel químico do tempo em que a Troika punha e dispunha em Portugal.

Sem juízos de valor, que terão de ser feitos pelo partidos, quanto à necessidade de nos comprometermos com Bruxelas com medidas que soam a mais austeridade, dá para antecipar que a última entrevista de António Costa à TSF/DN/JN pode ter sido um tiro no pé, porque expulsa das suas proximidades o único partido que lhe pode dar a mão e procura recuperar um casamento que não faz sentido nenhum, tendo em conta que o caminho a percorrer foi desenhado com o que sobrou da Troika.

Há também que considerar a hipótese de António Costa pretender, com a entrevista, antecipar ganhos numa crise política que chegue no momento em que o país esteja a recuperar economicamente, sem ter de se desgastar com a conflitualidade social que sempre acarretam as reformas estruturais. Foram as imposições europeias que juntaram a direita e a esquerda contra um governo PS e trouxeram a Troika em 2011. Com uma dívida bastante maior, embora com uma capacidade também maior de controlar a despesa pública, será tempo de recordar Hegel e Marx? A História repete-se sempre, pelo menos duas vezes. A primeira como tragédia, a segunda como farsa.

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