Bolsonaro está a fazer birra?

O Presidente brasileiro terá ficado irritado ao saber da decisão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de se encontrar antes com Lula da Silva. Assim, amanhã já não deverá encontrar-se com Marcelo, ainda que o Presidente tenha dito ontem ao final do dia "ainda que não tenha havido por escrito nenhuma comunicação" do cancelamento do encontro.

O Presidente de Portugal seguiu num avião da TAP para o Brasil, na última hora de sexta-feira, e iniciou uma visita oficial ontem em que assinalou o centenário da travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, cerimónia que decorreu no Rio de Janeiro.

Hoje Marcelo Rebelo de Sousa está já noutra cidade, em São Paulo - para visitar a Bienal do Livro e cuja tema deste ano é Portugal - e tem encontro marcado com Lula da Silva, que foi presidente entre 2003 a 2010 e é agora um forte candidato às eleições de outubro contra Bolsonaro.

Além do encontro com o antigo presidente, Marcelo quer sentir o pulso ao estado da nação brasileira e tem conversa marcada com o ex-presidente Michel Temer, naquela que é já a sua sexta visita oficial ao Brasil.

Imaginando-se que não passará pela cabeça de Jair Bolsonaro condicionar a agenda do presidente da República de Portugal, a verdade é que, daquele dirigente, tudo é esperado dizem os próprios brasileiros. Mas para Portugal, o Brasil é muito mais do que um rosto, um presidente, uma liderança com tiques de ditadura militar. O Brasil é um país irmão, membro da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa e uma das maiores potências do mundo.

Para o país onde nasceu Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, as terras de Vera Cruz continuam a ser um importante destino de exportações, sobretudo em vários produtos do chamado mercado da saudade, como vinho (Portugal é o segundo país produtor de vinho mais vendido no mercado brasileiro), bacalhau, azeite, mas também maquinaria e equipamentos, entre outros.

A relação bilateral em termos de investimento direto estrangeiro também tem vindo a aumentar, com uma forte procura do imobiliário por parte de muitas famílias brasileiras e o intercâmbio cultural não tem fim, como se viu na Bienal do Livro na metrópole paulista. Com birra ou sem birra, Portugal e Brasil vão continuar a ter uma relação umbilical para sempre.

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