Carregar um "Tancos" às costas

Eu sei. É domingo - véspera de segunda-feira - e as pessoas querem descansar. Mas não estamos a viver um momento qualquer. Daqui a precisamente uma semana, somos todos chamados a decidir o futuro Governo do País. E isso justifica que, mesmo a um domingo, a TSF lhe leve o essencial desta campanha eleitoral.

Já todos carregámos fardos na vida. O do PS, nestas eleições, chama-se Tancos. Há quatro anos, chamava-se Sócrates. Agora, chama-se Tancos. Há quatro anos, António Costa perdeu umas eleições que pareciam ganhas. Agora, arrisca-se a perder uma maioria absoluta que parecia bem encaminhada. Coincidência? Depende. Quem quiser acreditar na separação de poderes dirá que é a vida. Quem prefere acreditar em teorias da conspiração dirá que não há coincidências. E, a julgar pelas notícias deste fim de semana do Expresso, o PS está, claramente, cheio de teorias da conspiração .

O caso do assalto a Tancos estourou em plena campanha eleitoral e, por mais que os socialistas tentem andar entre os pingos da chuva, não há como evitar o facto de terem um ex-ministro deste governo acusado de quatro crimes. Assunção Cristas - que precisa tanto de marcar a agenda como de respirar - decidiu avançar para um "all in". Começou por dramatizar, marcando uma reunião de emergência com o seu núcleo duro. Depois defendeu uma nova comissão de inquérito ao caso Tancos e - a cereja no topo do bolo - pediu ao Ministério Público que investigasse melhor as declarações de Azeredo Lopes e de António Costa. Ah, e Cristas queixa-se de estar a receber ameaças .

Quem também não largou o tema foi Rui Rio. Depois de uma entrada em falso, o presidente do PSD decidiu carregar nas tintas e deixar um aviso ao Partido Socialista: os sociais-democratas falam do que quiserem e não é o PS que decide os temas da campanha. É de homem confiante. Até porque, na caravana do PSD, já se brinda a uma vitória no próximo dia 6 de outubro e já quase não se fala em sondagens.

Porque será? Bom, a explicação mais fácil é esta: o PSD está a recuperar nas intenções de voto. De acordo com a mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF, JN e TVI , a diferença entre PS e PSD encurtou-se para 10,7 pontos. O PS tem agora 37,1%, enquanto o PSD estabilizou nos 26,4%. Se quiser conhecer os números completos, a Judith Meneses e Sousa explica-lhe tudo, mas posso adiantar que, nesta sondagem diária, o CDS está quase empatado com o PAN.

As costas do Costa

Como se não bastasse ter levado com a "granada" de Tancos em plena campanha eleitoral, António Costa foi obrigado, por motivos de saúde, a abrandar o ritmo . O secretário-geral do PS piorou de um problema nas costas que já vinha da pré-campanha e teve mesmo que ser assistido no hospital de Viana do Castelo, este sábado. Arruadas, nem pensar. Comícios, só com muito sacrifício. A sorte é que no banco de suplentes estava Carlos César.

À campanha socialista chegou àquele que, durante os últimos quatro ano anos, nunca se importou de fazer de polícia mau, quando António Costa tinha que fazer de polícia bom. Carlos César, presidente do Partido Socialista, foi a Guimarães e disparou incessantemente sobre Rui Rio, acusando o presidente social-democrata de andar a caluniar António Costa.

À esquerda, o Bloco continua a fugir como pode do caso Tancos. Catarina Martins lá foi obrigada, este fim de semana, a voltar ao tema, para repetir a cassete dos últimos dias do "ninguém está acima da lei", acrescentando apenas que casos graves como este não permitem "achismos" . A coordenadora do Bloco de Esquerda voltou ainda ao mantra da geringonça para insistir na ideia de que as conquistas dos últimos quatro anos não foram mérito do PS, mas do BE e do PCP .

Jerónimo de Sousa - que admite já não estar fresco como uma alface - parece já ter partido para outra e não quer saber de Tancos. O secretário-geral do PCP tenta mobilizar as hostes comunistas para a última semana de campanha, prometendo "uma surpresa" eleitoral. E pedindo que os eleitores não liguem às sondagens.

O PAN continua a sua campanha "paralela". Sobre Tancos, André Silva admite apoiar uma nova Comissão de Inquérito , mas, logo a seguir, puxa do programa do partido e começa a debitar: até 2035, o partido Pessoas Animais e Natureza quer ver todas as capitais de distrito ligadas por comboio.

Falta só o momento musical do dia. Desta vez com o alto patrocínio do Partido Socialista, que decidiu brindar os apoiantes, em Famalicão, com Cláudia Martins & Minhotos Marotos. É carregar aqui e desfrutar.

E é tudo, por hoje. Se ainda não viu ou ouviu o Governo Sombra deste fim de semana, recomendo vivamente que o faça. O Bloco Central regressa esta segunda-feira.

Bom domingo.

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