Cartão Branco

1. O grupo de trabalho (GT) nomeado pelo ministério da Educação tem como missão, até final do presente mês, apresentar medidas, em jeito de recomendações, para a elaboração de plano de recuperação das aprendizagens.

A constituição deste GT merece nota elogiosa, pelo facto de integrar, também, diretores (as) e professores do ensino não superior, o que não sendo invulgar, é ainda raro, redundando num erro crasso dos governantes. Por isso, não tenho dúvidas que sairão orientações realistas, exequíveis, passível de aplicação em tempo útil.

Creio que o denominador comum das recomendações apontará para o reforço de recursos humanos nas escolas, através da atribuição de mais crédito horário, de modo a que os órgãos dirigentes possam alavancar a contratação de mais professores, e, no mesmo sentido, ver aumentado o número dos técnicos especializados (psicólogos, assistentes e educadores sociais, mediadores...) existentes nas escolas. Aliás, este procedimento só confirmará o que tem vindo a ocorrer desde o início do presente ano letivo, devendo ser efetivado com maior ênfase, num contínuo de coerência de ação da equipa ministerial.

Uma das questões que naturalmente gerará um debate mais aceso incidirá no binómio qualidade versus quantidade das aprendizagens, convocando ponderação, razoabilidade e uma visão abrangente e sustentada em evidências. O prolongamento das atividades de ensino será, na minha opinião, um erro a evitar, bem como o aumento da carga horária letiva dos alunos. Deve apostar-se no reforço da qualidade das aprendizagens, que convoca a implementação de apoios mais personalizados/individualizados, um trabalho mais intensivo com alguns grupos de alunos, incremento de coadjuvações, do programa de Mentorias e do Apoio Tutorial Específico, entre outras medidas, que devem ser complementadas com o emagrecimento dos vastos programas obrigatórios das diferentes disciplinas.

Não obstante os resultados que derivarão das sessões de trabalho, a autonomia das escolas necessita de ser respeitada, particularmente a pedagógica, e o modus faciendi para a operacionalizar, abstendo-se a tutela de se intrometer numa área pertença de quem exerce com zelo as suas funções na escola.

2. A 2.ª fase do desconfinamento prevê a reposição do ensino presencial para os alunos e professores do 2.º e 3.º ciclos, na próxima 2.ª feira, à semelhança do que já sucedeu com o pré-escolar e 1.º Ciclo, a merecer nota muito positiva. A testagem em massa e o início da vacinação de professores e pessoal não docente augura 53 a 67 dias úteis de aulas (dependendo do nível de ensino) sem interrupções, e sem sobressaltos, até final do ano letivo.

Porém, ainda é muito cedo para nos focarmos no desfecho da caminhada, apesar da luz que se avista ao longe, devendo centrar todos os esforços em cada etapa do percurso, agarrando as oportunidades, e reconhecendo os procedimentos e os suportes a acionar.

O terceiro período, que 2.ª feira terá o seu início, é dos mais longos, convocando particular prudência, na certeza de que as escolas públicas estão aptas para responder com rigor e eficácia, atendendo à preparação metódica e aos ajustes que têm vindo a realizar em defesa da saúde de todos.

No entanto, alguns adultos carecem de consciência cívica, devendo rever-se nas atitudes dos mais novos, com demonstrações claras de comportamentos louváveis, mormente em contexto escolar, reforçando a segurança que comporta aquele espaço. Pelo facto, são merecedores da amostragem do Cartão Branco, como é regra em algumas modalidades do nosso país, "recurso pedagógico que visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos".

As atitudes coletivas beneficiarão do que cada um, pelas ações singulares que desenvolve, pode incutir positivamente nos outros, entre as quais sobressai o ​​​​​​​cumprimento das regras incrementadas, a título excecional e temporário, num momento crítico e desafiante para todos.

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