Começou o desconfinamento: o muito que muda para o pouco que se quer mudar

Boa tarde. Descer um degrau, mas sempre prontos para voltar atrás. O Governo já anunciou o conjunto de medidas que vão fazer parte da nova realidade do país no próximo mês. Há várias novidades, alguma reabertura da economia mas uma enorme preocupação em não retroceder no combate à pandemia. Antes, vamos aos números.

Os números mais recentes

O número de mortes voltou a baixar em Portugal. Nas últimas 24 horas morreram 16 pessoas, elevando a contagem de vítimas mortais para 989. Os contágios subiram em 540 novos casos para um total de 25.045.

A Direção-Geral da Saúde admitiu hoje a existência de um caso de síndrome rara numa criança em Portugal. E voltou ao tema das máscaras para se justificar: a diretora-geral da Saúde não se arrepende de ter recomendado às pessoas que não usassem máscara. A verdade é que a exceção virou regra um pouco por todo o mundo.

Boas notícias em Espanha. O país voltou a registar uma queda em número diário de mortes (268) por Covid-19. Ainda assim, já morreram 24.543 pessoas e o número de infetados é de 213.435.

A Rússia ultrapassou os cem mil casos de novas infeções e contabiliza mais de mil mortos.

Nos Estados Unidos registaram-se mais 2502 mortos nas últimas 24 horas. O número de infetados é já superior a um milhão e já morreram quase 61 mil pessoas.

No Brasil o número de mortes tem vindo a dobrar, em média, a cada cinco dias. No total já morreram mais de 5400 pessoas vítimas da Covid-19 e há mais de 78 mil casos de infeção confirmados. O Conselho Nacional de Saúde do Brasil acusou Bolsonaro de ações "genocidas".

Em todo o mundo já morreram mais de 227 mil vítimas da Covid-19. E há quase 3,2 milhões de infetados.

O que se passa no terreno

O Governo da Madeira decidiu declarar situação de calamidade na região já a partir de domingo.

A ideia de abrir as creches em maio pode, na verdade, ser um "problema". A Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular avisa que, se número de crianças não cobrir despesas, as creches podem ter de continuar fechadas.

Entretanto, a limpeza e higienização das escolas, antes da reabertura, pode estar em causa. A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas diz que faltam diretrizes para garantir a segurança dos profissionais que vão ter esse trabalho.

A cerca sanitária em Câmara de Lobos, na Madeira, deve ser levantada já no próximo domingo.

E, em Ovar, uma mulher de 76 anos, infetada com Covid-19, foi detida por ter violado a ordem de confinamento. Andava na rua sem qualquer equipamento de proteção pessoal.

Nota ainda para um medicamento - o remdesivir - que está a provocar controvérsia. Os Estados Unidos admitem dar uma autorização de emergência para a utilização deste antiviral, mas há informações muito divergentes sobre a real eficácia deste fármaco.

O que a política está a fazer...

O Governo confirmou hoje a transição do estado de emergência para o estado de calamidade. E o plano gradual de "desconfinamento", que deverá vigorar até 1 de junho.

Entre as medidas - que entram em vigor ao longo do mês de maio - estão o uso obrigatório de máscaras nas escolas e nos transportes públicos, por exemplo. E uma lotação máxima obrigatória de cinco pessoas em espaços fechados até 100 metros quadrados.

O comércio local vai poder reabrir, desde que os espaços não tenham mais de 200 metros quadrados. Cabeleireiros, barbeiros e manicures também podem abrir, mas apenas com marcação prévia.

Restaurantes, cafés e pastelarias só podem ter uma lotação até 50%.

Celebrações religiosas podem voltar mas apenas se respeitarem as regras definidas pelas autoridades de saúde e as cerimónias fúnebres vão poder ter a presença dos familiares.

Todas as medidas que foram decididas pelo Governo estão aqui.

A ministra da Saúde não consegue garantir que o Serviço Nacional de Saúde consiga dar sozinho uma resposta ao pós-Covid. Ou seja, sem a ajuda dos privados. Foi numa entrevista a um podcast do PS.

Na política internacional, a China voltou a recusar uma investigação sobre a origem do novo coronavírus porque isso seria "presumir a culpa" do país".

... e como tudo isto mexe com a economia

As dormidas e os hóspedes sofreram uma redução drástica em Portugal que, em alguns casos, pode chegar aos 58,5%.

Depois dos padres de Angra do Heroísmo, agora são os sacerdotes da diocese do Porto que vão entrar em lay-off. A Igreja diz que não tem dinheiro para pagar salários.

Já basta o que basta. Cerca de 11 mil empresas que recorreram ao lay-off vão ter de voltar a mergulhar na burocracia por causa de um erro da Segurança Social. A ministra Ana Mendes Godinho não se deu ao trabalho de pedir desculpa. Teve de ser o ministro da Economia a reconhecer que o Governo defraudou as expectativas de empresas e trabalhadores.

É precisamente a pensar nos trabalhadores que as centrais sindicais se preparam para celebrar mais um 1.º de Maio, ainda que com várias medidas de segurança. A secretária-geral da CGTP alerta para o "ataque brutal" que os trabalhadores estão a sofrer. A UGT vai avisando que não aceita mais austeridade, à boleia desta pandemia.

Entretanto, a Autoridade para as Condições de Trabalho está a preparar-se para monitorizar o regresso aos locais de trabalho, a partir da próxima semana.

Mas os números que vão chegando da economia real continuam a ser assustadores. O Produto Interno Bruto na União Europeia recuou nos primeiros três meses do ano 2,7% face ao período homólogo. E só na Zona Euro, o desemprego atingiu os 7,4%.

O BCE veio entretanto apresentar novas previsões: o PIB da Zona Euro pode recuar este ano entre 5% a 12%. É por isso - e pelo mais que ainda aí vem - que o Banco Central Europeu está a avaliar se pode ir ainda mais longe nas medidas para travar a crise.

Bruxelas aceitou as explicações de Portugal para que o Programa de Estabilidade só seja entregue durante o mês de maio. Era suposto ter sido em abril.

Nos Estados Unidos, o número de pedidos de subsídio de desemprego já ultrapassa os 30 milhões.

Informações que lhe podem ser úteis

O estado de emergência está a acabar, mas há várias medidas que foram tomadas que vão continuar em vigor. Está tudo aqui.

Para quem está a pensar candidatar-se ao ensino superior, há novas datas a ter em conta. Todos os pormenores estão aqui.

Os clubes da I Liga estão a estudar uma forma de compensar adeptos que compraram bilhetes de época.

Em França, o Paris Saint-Germain foi oficialmente declarado campeão nacional. E o Marselha vai à Liga dos Campeões.

E a companhia de seguros Fidelidade decidiu reduzir o valor do seguro automóvel aos clientes.

Sugerimos ainda que...

Ao longo das últimas semanas, no topo desta newsletter, esteve sempre em destaque o programa Covid-19: Perguntas com Resposta. O formato resultou de uma parceria entre a TSF e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical e tinha como principal objetivo ajudar a esclarecer os portugueses sobre este vírus. E foi isso que aconteceu, com a ajuda da professora Cláudia Conceição e do professor Celso Cunha, a quem querdo deixar aqui um agradecimento especial pelo serviço público que ajudaram a TSF a prestar. O programa teve hoje a sua última edição, que pode ouvir quando quiser em tsf.pt.

Joana Schenker, campeã nacional, europeia e mundial de Bodyboard, é a convidada de Teresa Dias Mendes, nestes dias de confinamento. Porque o importante é viver "Um dia de cada vez".

Para o Filipe Melo, "pastor de pianos", segue um abraço do Fernando Alves, em mais um "Sinais".

"Sem medo do medo" fala hoje de Ciber-Resiliência, a propósito destes dias que passamos agarrados aos computadores.

E, claro, nunca falha: o Tubo de Ensaio disserta hoje sobre a melhor forma de "tourear pessoas em conversas". Com Bruno Nogueira e João Quadros.

Tenha um bom fim de semana.

Estou de volta na próxima segunda-feira.

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