Como correu a primeira semana de desconfinamento?

Boa tarde. Neste final de semana há números animadores e outros nem tanto. As autoridades de saúde garantem que ainda é cedo para avaliar o desconfinamento, mas voltaram a alertar para a necessidade de todos sermos responsáveis. Só a GNR, por exemplo, deteve 475 pessoas numa semana. Na política nacional e internacional continuam-se a discutir medidas de apoio à economia. Vamos aos números de hoje.

Os números mais recentes

Portugal registou um dos números mais baixos de vítimas mortais das últimas semanas. De acordo com os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde, morreram nove pessoas nas últimas 24 horas, de um total de 1114 óbitos registados até agora.

Os contágios continuam a aumentar: mais 500 de quinta para sexta-feira, elevando assim a contagem para mais de 2700 pessoas. A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, diz que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o desconfinamento.

Espanha registou o maior número de contágios da semana: quase 1100 novos infetados em 24 horas e mais 229 mortos.

A Rússia vai já para o sexto dia consecutivo com mais de dez mil infetados e está já perto de atingir a barreira dos 200 mil casos diagnosticados.

Os Estados Unidos, país do mundo mais afetado pela pandemia, registaram quase 2500 mortos de ontem para hoje. São já 75.500 óbitos e um número cada vez maior de infetados.

Em todo o mundo, a Covid-19 já matou 266.919 pessoas e infetou mais de 3,8 milhões.

O que se passa no terreno

Se ainda havia dúvidas sobre o caráter diferente desta crise, os dados que vão chegando do terreno demonstram, cada vez mais, que não há comparação possível.

A Cáritas diz que a procura de apoio social disparou 40% e muito mais rapidamente do que em 2008.

Para tentar dar resposta a esta realidade, a ministra do Trabalho anunciou hoje no Fórum TSF que o Governo vai estender a ajuda alimentar a 120 mil pessoas nos próximos meses.

Ainda assim, o provedor da Santa Casa do Porto pede ao Governo um plano de emergência social que permita dar resposta a esta crise.

Na preparação do regresso às escolas, os colégios privados decidiram fazer testes à Covid-19 aos professores.

E, na justiça, prepara-se também a reabertura dos tribunais, com novas normas que já foram aprovadas. A pandemia já atrasou mais de 50 mil atos processuais.

A pensar nos emigrantes, o Governo está também a preparar o país para os receber no verão, mas com cuidados redobrados.

Mas, entretanto, a Comissão Europeia veio sugerir aos Estados-membros que mantenham a interdição de entradas na União Europeia até ao dia 15 de junho.

O que a política está a fazer...

Hoje é dia de Eurogrupo, liderado a partir de Lisboa por Mário Centeno. Os ministros das Finanças da Zona Euro voltam a reunir-se para discutir a resposta à crise provocada pela pandemia.

Isto, um dia depois de o Governo ter fechado o Programa de Estabilidade. O documento é discutido na próxima semana, no Parlamento, e lá estão já contabilizados os impactos da pandemia: as medidas decididas pelo Governo já tiveram um impacto de 1,9 mil milhões de euros. O lay-off é o que tem o peso maior e há vários setores de atividade com quebras que estão a afundar o PIB.

Contas que o ministro das Finanças vai fazendo e que o levam a concluir que a taxa de desemprego este ano poderá rondar os 10%.

O CDS veio, entretanto, propor que as dívidas do Estado aos contribuintes sejam descontadas nos impostos. Enquanto o Bloco de Esquerda não compreende como pode o Novo Banco ter recebido mais uma injeção de dinheiro, em plena pandemia. Costa diz que não sabia.

... e como tudo isto mexe com a economia

Em março, as exportações caíram 13% e as importações recuaram quase 12%. Os números - e as explicações - foram avançadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística.

Como seria de esperar, o confinamento fez disparar o desemprego durante o mês de março. Há mais 53 mil novos inscritos nos centros de emprego.

Informações que lhe podem ser úteis

O novo apoio a trabalhadores independentes, anunciado pelo Governo, é de 219,40 euros.

Quem viajar para os Açores vai ter de ficar de quarentena num hotel da região. Mas quem não for residente tem de pagar o hotel a expensas suas. A medida está a levantar dúvidas constitucionais.

A reabertura dos cafés e restaurantes está condicionada a novas regras de higiene. Por isso, se está a pensar ser um dos primeiros clientes, é melhor ler este texto do Tiago Santos.

O futebol em tempos de pandemia também vai ter novas regras: a FIFA fez algumas alterações que vão tornar o jogo um pouco diferente daquilo a que estamos habituados.

Quanto aos festivais de música, também há normas que vão passar a ser obrigatórias e estão todas aqui.

Já agora, se gosta de correr, fique a saber que a meia maratona e a maratona de Lisboa foram adiadas para 2021.

Sugerimos ainda que...

A opinião hoje é assinada pelo Paulo Baldaia que, a propósito de André Ventura, sugere que "não enfiem a cabeça na areia".

Ainda sobre o mesmo tema, vale mesma a pena ouvir o "Tubo de ensaio". O Bruno Nogueira e o João Quadros deram uma trivela ao líder do Chega, a propósito da proposta sobre o confinamento dos ciganos.

É a última edição do "Sem medo do medo", uma parceria entre a TSF e a Ordem dos Psicólogos. E o último tema tem a ver com "o impacto da Covid-19 nas pessoas em situação de sem-abrigo".

Neste final de semana, a Teresa Dias Mendes esteve à conversa com o músico Nuno Santos, que tem planos para pegar na bicicleta e correr o país a dar música. Mas, atenção, "Um dia de cada vez", só quando as condições de segurança estiverem cumpridas.

O Fernando Alves vai estar uma semana fora, em lay-off. "Sinais" dos tempos em que é preciso ir "devagar, divagando".

Só duas notas para fechar: na próxima segunda-feira, às 09h30, Catarina Martins é a convidada da Manhã TSF, para uma entrevista.

E, porque hoje é sexta-feira, é dia de Bloco Central. À hora do costume, eu o Pedro Adão e Silva e o Pedro Marques Lopes cá estamos para desfiar a política da semana.

Tenha um excelente fim de semana. Eu regresso na segunda-feira.

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