Costa ainda vai ter saudades do guarda-chuva de Marcelo

Por estes dias, o Presidente da República para ser ouvido tem de dizer evidências sobre a melhor maneira de evitar doenças que é, obviamente, manter-nos saudáveis. Também já não nos lembrávamos da Directora-geral de Saúde que veio propor que abdicássemos de comer bacalhau-à-Brás em Agosto. Funciona sempre, qualquer banalidade dita com ar de quem acabou de ler os filósofos gregos tem sempre bastante sucesso.

O que não é difícil de imaginar em Marcelo Rebelo de Sousa é o sorriso com que vive o seu eclipse. O Presidente sabe que nenhum astro consegue esconder toda a estrela o tempo todo. O dia dele chegará, isso é certo, e ele estará preparado. Diz isso hoje ao Expresso: "Ainda vamos longe do fim da história". O jornal conclui que Marcelo está a dar tempo a Costa, a mim parece-me que ele está a dizer que tem tempo. Só lhe faltou dizer ao semanário, usando linguagem futebolística, que "isto não é como começa é como acaba". Cavaco também tinha uma maioria e acabou em dificuldades às mãos de Soares.

O Presidente está na fase popularista, uma mistura de um político muito popular com um populista que se apresenta falando em nome do povo contra a bolha, leia-se elite. Está tão confiante no destino que até se dá ao luxo de ser descarado, lembrando que a ideia de acabar com esta legislatura a meio não está posta de parte, bastando para isso que o sonho europeu de Costa continue a ser alimentado pelo próprio. No fim, o povo estará com o Presidente, disso Marcelo não tem dúvidas.

O que ele sabe é que o povo não passa em cinco meses de um apoio maioritário ao PS para uma contestação ao governo. Mais ainda quando a liderança da oposição é exercida pelo Chega, deixando a maioria dos democratas com vontade de ver Costa derrotar Ventura nos debates parlamentares. O Presidente que quer ficar na história por deixar um país estruturalmente diferente, sabe que isso pode não acontecer, mesmo com uma bazuca à disposição, e não parece disponível para deixar Costa escapar sem culpa formada.

A vida já começou a complicar, e muito, para uma larguíssima percentagem da população que perdeu poder de compra. Ter trabalho não chega para fugir da pobreza, mesmo que tenham sido os salários mais baixos aqueles que mais subiram. Não está excluído o cenário de uma recessão já no final deste ano, nem de uma nova crise nas contas públicas num futuro próximo. Não havendo um país das maravilhas, Costa ainda vai ter saudades do guarda-chuva de Marcelo.

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