Costa foi avistado noutra galáxia

Para azar do primeiro-ministro, ou sorte, o futuro dirá, as maravilhas que tem conseguido fazer na Europa não são muito valorizadas na frente interna. O recorde de tempo com que a União Europeia conseguiu aprovar o certificado digital Covid ou a ida da Comissão aos mercados para financiar a bazuca podem ter ficado a dever muito à presidência portuguesa da União, mas por cá só servem para explicar o sentimento de orfandade que cresce no governo e no Partido Socialista. É, pelo menos, a explicação mais benevolente.

Em que momento da nossa vida política, imaginaríamos possível que o líder de um partido que está no poder seria completamente desautorizado, numa guerra de alecrim e manjerona envolvendo as estruturais locais de uma cidade? Como se explica que António Costa tenha acabado vencido e tenha aceitado Tiago Barbosa Ribeiro, da ala mais esquerda no PS e apoiante de Pedro Nuno Santos, como candidato numa terra queimada? E, por falar em Pedro Nuno, em que outro país seria possível assistir a um bullying constante do chefe de governo a um dos seus ministros?

É claro que um partido que aceita a discussão sobre quem tem mais poder interno, se é o líder ou o pretendente a líder, já aceitou há muito que o líder não quer lá estar. Pode até ter acontecido o mesmo que aconteceu a quase todos os líderes partidários que chegaram a primeiro-ministro, cansaram-se do partido, a certa altura já não suportavam o partido, queriam ver o partido pelas costas. Se toda a gente sabe que António Costa anda à procura de emprego lá fora, querem que os membros do governo e os dirigentes do PS falem de quê? Até em Belém se está à espera que a situação seja clarificada. O congresso do próximo mês é a data limite. Se não desmentir, confirma.

Como se fala também da absoluta necessidade de haver uma remodelação no governo, convém lembrar o óbvio: remodelações feitas por um chefe de governo que todos julgam estar de abalada não fortalecem esse governo, mais que não seja porque não se recrutam pessoas capazes para um governo desgastado e com um chefe que tem a cabeça noutro planeta.

E, por falar em planetas, até ao final do mês, deverá ser conhecido o relatório do Pentágono sobre os objetos voadores não identificados, os ovni que tantas teorias da conspiração provocaram, é capaz de não ser má ideia procurar nesse relatório informação sobre avistamentos noutra galáxia. Quem sabe não vamos lá encontrar o nosso primeiro-ministro.

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