Da Azambuja à Jamaica, a culpa agora é dos infetados

"Quando o vírus chega aos pobres, parece que infetados deixam de ser vítimas e passam a ser um perigo." É assim que Daniel Oliveira observa a última semana de desconfinamento, em que a Plataforma Logística da Azambuja e o Bairro da Jamaica assumiram destaque, apesar da diferença no número de infetados.

No habitual espaço de comentário na TSF, o jornalista alertou para o facto de ser "estranho" que "quando os infetados são mais pobres parece que passam a ter culpa de estarem doentes".

Ao lembrar que há cerca de um mês o PCP alertou para as condições em que se fazia transporte na linha da Azambuja, Daniel Oliveira aponta o dedo às empresas, salientando que quase 200 casos não podem ser uma "coincidência".

"Mesmo que não sejam os primeiros casos espalhou-se dentro da empresas", realçou, acrescentando que "tudo o que se passa dentro das empresas é responsabilidade das empresas"

Ainda assim, o comentador compara a forma como os dois casos têm tido tratamentos diferentes. "A bonomia com que o Estado tem lidado com responsáveis empresariais da Plataforma Logística da Azambuja contrasta com o aparato policial e mediático que assistimos no bairro da Jamaica", aponta.

Daniel Oliveira não discute "se a PSP era necessária", apenas discute "o circo mediático e policial" num "bairro onde ficar dois meses em casa é uma impossibilidade, onde o Estado não garante condições sanitárias, de habitação". Contudo, diz, "parece que a única altura em que Estado aparece é fardado, mesmo quando estamos a falar de vítimas de vírus".

* Texto de Inês André Figueiredo

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