Da pandemia na saúde à pandemia económica

Boa tarde. Continua a aumentar o número de vítimas mortais na Europa, por causa da Covid-19. Ainda assim, a Organização Mundial de Saúde vê sinais encorajadores no velho continente. Por cá, o Governo apresentou hoje mais um pacote de medidas para ajudar as empresas e as famílias a enfrentar a crise económica que se avizinha. Vamos ao essencial desta quinta-feira sobre a pandemia do novo coronavírus.

Os números mais recentes

Em 24 horas, morreram mais 17 pessoas em Portugal, elevando, assim, para 60 o número total de vítimas. Segundo a Direção-Geral de Saúde, a Covid-19 atingiu já mais de 3.500 pessoas no nosso país, das quais 43 conseguiram superar a doença. O norte é a região onde se registam mais casos positivos e mais mortes.

Lá fora, os Estados Unidos contabilizam quase 70 mil infetados e mais de mil vítimas mortais. Em Itália são já mais de oito mil mortos.

O que se passa no terreno

Já chegaram a Portugal 5.000 dos 80.000 testes para a Covid-19 que tinham sido encomendados e que deveriam chegar esta semana. Os restantes devem chegar no início da próxima. Não são testes rápidos, como os que Espanha comprou à China, porque esses não têm parecer positivo nem do Infarmed nem do Instituto Ricardo Jorge.

Ainda sobre a falta de material de proteção para os profissionais de saúde, nos Hospitais de Coimbra, médicos e enfermeiros meteram mãos à obra e começaram eles mesmo a fazer esses materiais. A reportagem em Coimbra é da Diana Craveiro.

Um "barril de pólvora". É assim que o presidente da Câmara de Vila Real descreve a situação no lar Nossa Senhora das Dores, que continua lotado e a correr riscos. Em Braga, também num lar, morreu entretanto uma idosa de 76 anos com a Covid-19. A família quer processar os responsáveis da instituição por negligência.

Proteger-se a si,é proteger os outros. A mensagem parece difícil de passar para muita gente. Um inquérito da Deco Proteste conclui que metade dos portugueses com sintomas de Covid-19 não cumpre a quarentena.

Para combater isto, a Câmara de Setúbal decidiu pedir aos cidadãos que se vigiassem uns aos outros e ligassem para uma linha telefónica para denunciarem casos de ajuntamentos que, por estes dias, são ilegais. Ora, cabendo essa tarefa às autoridades, a TSF decidiu começar a fazer perguntas e a autarquia setubalense acabou por retirar o anúncio público que tinha feito.

A FENPROF exige que o Ministério da Educação clarifique como vão ser as avaliações este ano.

O que a política está a fazer...

O Governo aprovou hoje mais um pacote de medidas de apoio às famílias e às empresas, antecipando os efeitos económicos desta pandemia. Pais com filhos a cargo, por exemplo, que tenham que faltar ao trabalho, vão continuar a ter justificação no período das férias da Páscoa. Quem tiver empréstimo bancário, vai poder ficar sem pagar as prestações durante seis meses.

Para as empresas, o Governo promete simplificar o regime de lay-off e o acesso ao crédito. Isto depois de a TSF ter avançado hoje que, entre os vários critérios impostos nas primeiras linhas de crédito, estava, por exemplo, a exigência de que as empresas tivessem a sua situação totalmente regularizada com o Estado e com os bancos. O ministro Siza Vieira veio explicar, entretanto, que isso só se aplica até ao final de fevereiro.

Da Europa é que... nada. A presidente da Comissão Europeia falou hoje para criticar os Estados-membros por terem fechado fronteiras, mas medidas concretas e decisões, é melhor esperarmos sentados, para não nos cansarmos.

O Presidente da República já admite que o estado de emergência se prolongue até 16 de abril e decidiu cancelar as comemorações do 10 de junho, que este ano se deveriam realizar na Madeira e na África do Sul.

...e como tudo isto mexe com a economia

À pandemia da Covid-19 seguir-se-á uma pandemia económica. Já não é apenas um receio, começa a ser uma evidência para quase todos os organismos.

O Banco de Portugal anunciou hoje que a economia portuguesa deve cair entre 3,7%, no melhor cenário, e 5,7% no pior. A taxa de desemprego deverá ficar acima dos 10%.

Informações que lhe podem ser úteis

O Infarmed alerta para a venda de medicamentos online que prometem prevenir ou tratar a Covid-19. É falso. A Autoridade Nacional do Medicamento lembra que "não existem medicamentos autorizados para prevenir ou tratar a Covid-19".

Entretanto, a Hovione, farmacêutica com fábrica em Loures, anunciou que vai produzir 40 toneladas de gel desinfetante por semana para entrega gratuita.

Sugerimos ainda que...

Leia a entrevista a uma médica italiana à TSF que descreve o quadro de horror que se vive nos hospitais daquele país, onde, diariamente, os profissionais de saúde são obrigados a escolher quem salvam e quem deixam morrer. A entrevista é do Rui Polónio.

Na opinião temos hoje o Adolfo Mesquita Nunes com um alerta que deve ser levado muito a sério: "E se o vírus voltar?".

Na crónica diária - "Sinais" -, o Fernando Alves reflete sobre um caso que se passou aqui ao lado, em Leganés, Espanha, quando um homem levou o filho autista e hiperativo de nove anos a um recinto desportivo e foi insultado de tudo pelos vizinhos nas varandas. Até a morte lhe desejaram.

Não se esqueça que, a partir da próxima semana, a TSF estreia um novo formato em que desafiamos os nossos ouvintes a escolherem um livro e a gravarem em áudio um excerto que tenha entre um e dois minutos. Basta enviar por Whatsapp para o número 91 332 51 03. Nós escolhemos os melhores e passamos na antena. Mas todos vão estar disponíveis em tsf.pt. "Com os livros ficamos mais próximos" estreia na próxima segunda-feira.

A Teresa Dias Mendes e a Ordem dos Psicólogos falam hoje do "Instinto do medo", em mais um "Sem medo do medo".

E porque é em tempos de crise que o humor é ainda mais fundamental, o Bruno Nogueira e o João Quadros metem hoje no Tubo de Ensaio a Padaria Portuguesa. Ou escocesa...

Até amanhã, à mesma hora.

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