De Lisboa a Joanesburgo

Daqui até dia 27 deste mês o stress pandémico acalma e as férias espreitam. Os portugueses aguardaram o esperado resultado do conselho de ministros desta semana, de novo com a habitual ansiedade. Desta vez nada a registar. O governo preferiu aguardar por uma nova reunião do Infarmed, marcada para o dia 27 deste mês.

Neste compasso de espera, os concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado continuam a subir, passaram de 60 para 90. A única medida atualizada tem que ver com os autotestes, cuja venda foi aprovada em supermercados. O objetivo é reforçar a identificação de casos positivos de covid-19, numa altura em que Portugal se mantém na zona vermelha da (atual) matriz de risco e a situação epidemiológica continua a preocupar o governo e os portugueses, em geral.

Entramos agora na segunda quinzena do mês de julho, uma das mais procuradas pelos portugueses para um merecido período de descanso. O campo tem vindo a ganhar adeptos face à praia, enquanto destino seguro, mas os ajuntamentos serão difíceis de controlar nestas duas semanas, assim como no próximo mês. Hoje, desde cedo, que nos cruzamos na estrada com veículos cheios, famílias a bordo, varias bagagens e muitos sorrisos. Mas é preciso não esquecer que as infeções disparam em Portugal e que o número de casos novos de covid-19 é o maior desde fevereiro. Portugal ultrapassou esta semana a barreira dos 4 mil casos diários. O vírus não vai mesmo de férias. Mas os portugueses têm vindo a esquecer-se disso.

Muitos vacinados prescindiram da máscara e aceleraram os convícios, cá e em vários países da Europa. Veja-se o efeito nos Países Baixos: após terem sido retiradas todas as restrições no final de junho os novos casos aumentaram 500%. O primeiro-ministro, Mark Rutte, já pediu desculpa pelo "erro de julgamento". Na semana passada, foram detetados quase 52 mil casos, um aumento acima de 500% em relação ao período anterior ao levantamento das normas de contenção da pandemia do novo coronavírus.

O súbito agravamento da situação pandémica levou o governo holandês a voltar atrás e a impor novamente algumas restrições, como o encerramento de discotecas, um dos principais locais de contágio, segundo revelou. Assim, os espaços para dançar fecham, de novo, as portas até 13 de agosto e os bares passam a encerrar à meia-noite. "O que achámos que era possível acabou por ser impossível na prática", disse o primeiro-ministro. "Foi um erro de julgamento, do qual nos arrependemos e em relação ao qual pedimos desculpa."

Na realidade, o governo holandês viu-se obrigado a dar um passo atrás. Também o Reino Unido quer seguir o mesmo caminho, mas há demasiados cruzamentos a ter em conta antes do total levantamento das restrições. As terras de Sua Majestade têm agora menos certezas face à dura realidade a que assistem nos seus vizinhos. Por cá, as certezas também têm vindo a desaparecer no horizonte.

Uma nota final abrindo uma janela para o resto do mundo e que vai para além da Europa:

Em Portugal debatemo-nos por mais e mais testagem e pela crescente vacinação, mas esta é uma realidade de um mundo ocidental, ainda muito longe de estar globalizada. Lá fora, em países como o Haiti, Cuba e África do Sul - todos eles com convulsões recentes - as vacinas são uma miragem, bem como o acesso aos testes. A crise sanitária alastra consigo uma crise social, económica e política, sem precedentes. O que está a surgir nestas nações é apenas a ponta do icebergue de uma depressão mundial profunda, que, tal como o vírus da covid-19, deixará sequelas de longo prazo.

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