(Des)confi(n)ar

No prosseguimento da 2.ª fase do Plano de Desconfinamento nacional, os alunos do 11.º e 12.º anos de escolaridade e do 2.º e 3.º anos dos Cursos de Dupla Certificação regressaram às escolas, bem como os seus professores.

A expetativa era avassaladora. Há dois meses confinados em suas casas, os nossos jovens ansiavam por sentir de novo o pulsar do local onde, naturalmente, desenvolvem as suas aprendizagens, e que lhes disponibiliza as ferramentas basilares que os auxiliam a estar mais bem preparados para a vida. As saudades do convívio com os colegas, das aulas presenciais, dos professores, que respeitam e estimam, e dos funcionários, que os apoiam nos diferentes espaços escolares, eram por de mais evidentes, sufocando-os e tolhendo-os na sua capacidade inata de se ser no coletivo.

Idear a situação que passou a realidade, no início da presente semana, convocou um esforço meticuloso por parte das escolas, muito em especial das respetivas direções executivas. Com enorme capacidade adaptativa perante os múltiplos desafios que se lhes apresentam no dia-a-dia, os diretores demonstraram mais uma vez, por que são respeitados e reconhecidos pelas suas comunidades educativas. Reorganizaram horários (de alunos e professores), redimensionaram e adaptaram espaços, atualizaram os planos de emergência, dando uma lição magistral de liderança e dedicação.

Porém a liberdade que está a ser de novo conquistada é proporcional e está condicionada aos comportamentos e às atitudes dos portugueses, nos quais se compreendem os atores educativos.

E, todos eles, nos primeiros dias do "novo normal", merecem um forte aplauso! Todos, sem exceção! É um orgulho perceber que os nossos jovens, em quem deposito plena confiança, têm uma consciência cívica apurada, tendo adotado desde logo um comportamento irrepreensível, louvável e exemplar. Caros alunos: tiro-vos o chapéu! Os docentes, pilares das escolas, têm enfrentado um ano letivo especialmente exaustante, tendo sido capazes, de forma eficiente e em tempo record, de se adaptarem, ultrapassando largamente o que se lhes exigia. Caros professores: a atividade que desempenham deve-vos o renovado reconhecimento dos portugueses. Os funcionários "vestiram a camisola", percebendo o momento único, e apoiaram os seus líderes - os diretores - na implementação dos mecanismos, das regras e procedimentos de segurança que todos teriam de adotar a partir de 2.ª feira. Caros funcionários, o meu muito obrigado!

As escolas, o ministério da Educação e a direção-geral da Saúde, cujas orientações foram fulcrais, desenvolveram um trabalho exigente e rigoroso, pautado por uma articulação síncrona, cúmplice, numa união de esforços em torno de um objetivo comum.

O balanço é, indubitavelmente, positivo, com o regresso à escola a fazer-se de forma ainda mais responsável, cientes de que a inexistência de risco zero obriga-nos a todos a cuidados redobrados no cumprimento de novas normas e regras.

Ainda assim, alguns pais e encarregados de educação optaram por não deixar os seus filhos frequentarem presencialmente as aulas, dominados pelos receios, optando (legitimamente) por observar o decorrer da situação nos próximos dias. Tenho em crer que o feedback dos

alunos, professores e funcionários lhes devolverá a confiança para "libertarem" os seus educandos na direção da sua segunda casa: a Escola.

Estas souberam e saberão cumprir com todas as regras e procedimentos necessários para que se atinja o mais alto nível de segurança, contribuindo, consequentemente, para o regresso paulatino, porém convicto, de todos às suas atividades e funções.

As escolas estão aprovadas com distinção!!

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