(Des)Consensos

O país já se habitou a consensos entre Belém e São Bento. A pandemia exige o esforço de todos e todos somos poucos para a vencer. No quadro político tem sido esta a tónica.

Contudo, o cerco a Lisboa parece ter levantado alguma animosidade entre a presidência e o governo.

O Presidente da República, ​Marcelo Rebelo de Sousa, a partir de Nova Iorque, onde foi acompanhar a reeleição de António Guterres para um segundo mandato à frente da Organização das Nações Unidas, falou sobre a medida aprovada, esta semana, de proibição da circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa.

Disse que "a Constituição e a lei são muito claras, cabe ao Governo a gestão em tempo de não haver estado de emergência. É competência do Governo. O Governo agiu de acordo com a sua competência e fez uma avaliação da realidade".

Mais referiu: "A minha posição é a mesma: cabe a mim a declaração de estado de emergência, eu não vejo razões para haver um recuo quanto ao estado de emergência", considerou, justificando com os números de mortes, de cuidados intensivos e de internados que continuam "muito, muito abaixo do limite que justificou o estado de emergência no tempo em que ele durou".

Para Marcelo, o "Governo decidiu no âmbito da sua competência e o Presidente não vê razões para mudar de opinião quanto ao estado de emergência".

O Presidente afirmou ainda que "há um número elevado de casos, mas sem a projeção nos internados, nos cuidados intensivos e nas mortes", que tinha justificado há uns meses o estado de emergência.

Na prática, pede outra narrativa, desta vez assente num ritmo ainda mais acelerado de vacinação e está preocupado com os contágios entre os mais novos (nas faixas dos 20 e 30 anos), numa forte testagem e em maior cautela na forma como é usada a autoridade do Estado.

Ao dizer que "não se pode voltar atrás" e que o país não regressará ao Estado de Emergência, está a passar a bola ao governo.

Se o executivo decidir manter a matriz de risco, sem alterações, e tiver de recuar ainda mais no desconfinamento em alguns concelhos, vai ter de se conter nos limites da lei em termos de restrição dos direitos dos cidadãos ou então propor uma revisão da lei.

Para o primeiro-ministro "ninguém pode garantir que não voltamos para trás e "estes números [de Lisboa] significam simplesmente uma coisa: não estamos a controlar a pandemia", disse António Costa, no dia em que entrou em vigor a proibição de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), para travar os contágios pelo novo coronavírus.

O primeiro-ministro renovou um pedido: "O apelo que eu faço a todos os que vivem na Área Metropolitana de Lisboa é que tenham em conta estes números. Estes números significam simplesmente uma coisa: não estamos a controlar a pandemia", afirmou, referindo-se ao aumento de novos casos de infeção.

"Quando olho para os números e percebo que dois terços das pessoas estão na região de Lisboa, a primeira medida que tenho de tomar é impedir que extravase", considerou. "E não estamos a controlar a pandemia, porque os comportamentos não são adequados à realidade da pandemia", acrescentou.

"Provavelmente as pessoas anteciparam a ideia de que já tendo hoje um nível de vacinação muito elevado, tendo, felizmente, um número de mortos reduzido, não tendo muitos internamentos, o problema não existe. Mas o problema existe".

O vírus continua entre nós, não podemos baixar a guarda. Até porque está confirmado que a variante Delta se transmite mais facilmente. Aliás, os dados mostram que esta variante, também conhecida por indiana, é até 60% mais transmissível do que a inglesa, que, por sua vez, já era mais contagiosa que a original Sars-CoV2. Alguns estudos indicam também que o risco de hospitalização, por esta variante, é duas vezes superior. Em relação á vacina, a toma das duas doses, deverá ser suficiente para manter a proteção. Até lá, todo o cuidado é pouco.

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