DGS: como é que ainda se comunica assim?

A Ministra da Saúde foi ontem desmentida pela Direcção-geral da Saúde, que veio esclarecer que, ao contrário do que por lapso tinha sido dito pela Ministra, não há necessidade de isolamento para quem chega a Portugal vindo das zonas mais afectadas pelo novo coronavírus.

Esta circunstância é um paradigmático exemplo da absoluta desadequação da política de informação pública do Estado Português acerca do coronavírus.

Num tema como este, que está a alarmar as populações, não há espaço para improviso nem para achismos. Os responsáveis públicos devem falar todos a uma mesma voz, dizer as mesmas coisas, e repeti-las as vezes necessárias para informar as populações, evitando alarmismos.

O alarmismo é filho da desinformação. Ver responsáveis políticos e públicos a dizer coisas distintas é uma forma de desinformação, que ainda para mais gera desconfiança, dúvida: afinal de contas o que é que devemos ou não fazer, e como e quando?

Mas não é só no conteúdo que está a desadequação. É também na forma, nos meios. As pessoas informam-se na internet, nas redes sociais, nos jornais online. Onde estão campanhas claras, esclarecedoras, por parte das entidades oficiais nesses meios? Não estão.

Sim, há comunicados da DGS, que a esmagadora maioria da população não lê nem ouve. Sim, há declarações públicas, feitas de improviso como se vê. Mas não há, deveria haver, uma política clara de comunicação, em vários meios e suportes, para chegar às pessoas.

A DGS anda a comunicar nos suportes de sempre, quando a população circula por suportes onde a DGS não fala nem comunica em condições.

Vídeos simples, a explicar o como e o porquê. Gráficos claros, a explicar que não há razão para alarme. Frases fortes, a explicar o que fazer. Nada disso existe. Como não existe uma campanha simples nos meios de comunicação social. E precisamos disso, vindo da DGS e com a credibilidade da DGS, para nos informarmos, para não nos alarmarmos, e para mostrarmos a todos quantos andam por aí a informar-se e sites alarmistas. Isto sim, seria informar e combater a desinformação e o alarmismo.

Há uns meses, todos recebemos mails a pedir para irmos limpar matas. Hoje, que o coronavírus está por aí, não recebemos coisa alguma, e ficamos à mercê do que as redes sociais andam a dizer, no meio de confusões e fake news.

Não basta fazer comunicados: é preciso comunicar. E a comunicação do Estado Português, nesta matéria, que gera alarme, está no Século passado, e deixa-nos imersos na desinformação.

Conheço o argumento de que há vontade de não alarmar as pessoas, de não as colocar em pânico. Pois bem, ao comunicar desta forma, o que se gera é alarmismo: perante a ausência de informação acessível, clara, nas redes sociais e no online, a população entrega-se ao que por lá circula.

Outras Notícias

Patrocinado

Apoio de

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de