Em Portugal, o vírus já não pode ser contido. Chegámos à fase da mitigação

Boa tarde. A pandemia do novo coronavírus entrou na fase da transmissão comunitária. A partir da meia-noite, Portugal entra, oficialmente, na fase da mitigação, o que significa que vão ser implementadas novas medidas, não para conter o vírus, mas para o mitigar. E agora, vamos ao balanço mais recente.

Os números mais recentes

Em menos de 24 horas, morreram mais 10 pessoas em Portugal vítimas da Covid-19 e registaram-se 633 novos casos de contágio, o que fez disparar o número de infetados para perto de 3000. Números oficiais. Porque os oficiosos, que vão sendo relatados todos os dias pelos autarcas, parecem fazer crer que há mais pessoas doentes do que aquelas que a Direção-Geral da Saúde apresenta ao país. Graça Freitas assegura que ninguém anda a mentir.

E se fizéssemos mais testes? Podia evitar-se a hospitalização de 900 pessoas e poupava-se qualquer coisa como quatro milhões de euros em dez dias. São algumas das conclusões de um grupo de cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Lá por fora - mas mesmo aqui ao lado -, em Espanha, continuam a morrer às centenas, todos os dias. Só nas últimas 24 horas, registaram-se mais 738 mortos, fazendo disparar o número de vítimas mortais para mais de 3400. Espanha regista, neste momento, mais mortos do que a própria China continental.

Em Itália, os especialistas dizem que a estirpe é diferente da que apareceu na China, o que pode ajudar a explicar a eleva taxa de mortalidade.

O que se passa no terreno

Como pode um sem-abrigo ficar em isolamento? E quem cuida deles? No Porto, o grupo Coração na Rua viu duplicar o número de pedidos de refeições e queixa-se da burocracia do Estado, mesmo em Estado de Emergência.

Já nos hospitais, a realidade relatada pelos profissionais de saúde parece estar nos antípodas da que é descrita pelo Governo. Raquel Martins é enfermeira e está infetada com a Covid-19. Em conversa com a Sara de Melo Rocha queixa-se de falta de equipamento de proteção para médicos e enfermeiros e desafia o primeiro-ministro a ir ao terreno ver com os seus próprios olhos.

O que a política está a fazer...

Foi isso que António Costa fez esta quarta-feira: ir ao terreno, mas a um hospital onde os seus responsáveis dizem que não falta nada. Depois das trocas e baldrocas com o número de testes que Portugal tem disponíveis, o primeiro-ministro tentou desvalorizar a polémica, dizendo que o isolamento social e a disciplina com a higiene são mais eficazes no combate à doença do que todos os testes do mundo.

...e como tudo isto mexe com a economia

Por falar em desconversar, hoje podia ser dia de festa para o Governo, na área económica, não fosse esta pandemia que ameaça o país com uma recessão. O Instituto Nacional de Estatística confirmou que Portugal teve o primeiro excedente orçamental da história da democracia em 2019. Um ano antes do previsto.

Mário Centeno decidiu assinalar o momento, para dizer que "o país nunca esteve tão bem preparado para uma crise como esta" e prometer fazer tudo para que Portugal regresse à normalidade. Mas Carlos César, nos Almoços Grátis da TSF, já fala "em vários orçamentos retificativos".

O problema é que essa normalidade económica não depende apenas de nós e assenta muito mais numa estratégia europeia. Hoje mesmo seguiu para o Conselho Europeu uma carta assinada por oito chefes de Estado e de Governo - onde se inclui António Costa - a defender os coronabonds, ou seja, a mutualização da dívida dos países da Zona Euro. Vamos ver quanto tempo demora a volta do correio.

É que, enquanto as cartas vão e vêm, há trabalhadores em casa que já estão a receber missivas de cortes de salários ou mesmo de despedimento. E empresários à beira do desespero, a verem negócios que custaram tanto a construir a esfumar-se nesta crise pandémica. A Sara Beatriz Monteiro traz-lhe sete retratos da angústia que se vive, por estes dias, em Portugal.

Uma angustia que também se sente - e de que maneira - na Comunicação Social, tão importante em momentos como o que estamos a viver, mas ainda sem qualquer medida de apoio por parte do Estado. A Plataforma de Media Privados tomou, por isso, a iniciativa, e escreveu ao ministro da Economia e ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media com um conjunto de sugestões para ajudar o setor.

Informações que lhe podem ser úteis

A Câmara Municipal de Lisboa decidiu isentar todos os estabelecimentos comerciais que estão em espaços municipais do pagamento de renda.

E a autarquia de Cascais avançou com a isenção de taxas municipais ao comércio e serviços locais.

Sugerimos ainda que...

Espreite a conversa que a Ana Sofia Freitas teve com Ana Cadete, uma portuguesa que trabalha na Moderna Therapeutics, em Massachusetts, que é, nada mais, nada menos, uma das empresas de biotecnologia farmacêutica que está a desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus baseada no RNA mensageiro.

Nestes dias de isolamento social ler pode ser uma forma de nos aproximarmos. Por isso, a partir da próxima semana, a TSF estreia um novo formato em que desafiamos os nossos ouvintes a escolherem um livro e a gravarem em áudio um excerto que tenha entre um e dois minutos. Depois, basta enviar por Whatsapp para o número 913325103. Nós escolhemos os melhores e passamos na antena. Mas todos vão estar disponíveis em tsf.pt. "Com os livros ficamos mais próximos", estreia na próxima segunda-feira.

Não perca ainda os Sinais de hoje, do Fernando Alves, que reflete sobre mais uma "pérola" de Jair Bolsonaro. "A gripezinha" pode ser ouvida aqui.

E, já sabe, "Sem medo do medo" continua diariamente a ajuda-lo a lidar com este período estranho das nossas vidas. Hoje falamos do estigma e de como lidar com ele.

Até amanhã, à mesma hora.

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