Escola Digital, para onde vais?

Um pouco por todo o país, nos concelhos e nas escolas que aderiram ao calendário semestral (em vez dos tradicionais três períodos letivos), realizaram-se, em conselhos de turma e de docentes, as reuniões intercalares, numa altura estratégica para balanço do processo de ensino-aprendizagem.

Os momentos avaliativos assumem-se marcadamente importantes, pois permitem monitorizar o desempenho dos discentes, os progressos alcançados, os emergentes, as dificuldades e limitações que tendem a instalar-se, informações que se devolvem aos alunos e aos encarregados de educação, num ato participado de todos os envolvidos, e no qual o professor tem a oportunidade de refletir sobre a sua prática e os ajustes necessários, em prol do sucesso dos discentes.

A chegada em força do material digital às escolas públicas foi uma excelente iniciativa, embora nem todos a tivessem aproveitado, por motivos vários. Alguns encarregados de educação, cientes da sua pertinência durante o ensino à distância, investiram no equipamento para os seus educandos, outros conhecendo os termos da sua entrega, através da assinatura de um contrato de comodato, com as responsabilidades que lhe estão inerentes, recusaram esta mais-valia, enquanto instrumento de trabalho para o ensino e a aprendizagem colocado à disposição de professores e alunos.

Considero que os encarregados de educação que abdicaram dos equipamentos, até à data contabilizam-se 200.000 computadores armazenados nas escolas, reverterão a decisão, caso o seguro escolar seja alargado ao seu normal uso e utilização, constituindo-se um aporte imprescindível para a vida escolar e além dessa. A tutela deverá ter em conta esta nova exigência, contribuindo para fazer esquecer o triste fim dos "Magalhães" e, principalmente, colhendo os resultados desejados de um investimento avultado do ministério a Educação, sentindo que as tecnologias e o digital facilitam e incluem na Educação.

Os docentes não ficaram de fora desta equação e, também lhes foram atribuídos, na mesma modalidade, computadores, auscultadores e net gratuita, percebendo-se que urge, no cenário atual, a chegada a cada estabelecimento de ensino de um novo recurso humano - o técnico de informática. Este profissional, nova figura no contexto escolar, terá uma missão essencial que convoca todo um trabalho de ativação, atualização e manutenção dos milhares de computadores na posse dos docentes e dos alunos, mas também nos diferentes serviços da escola, de modo a garantir que tenham uma longevidade máxima ao serviço de quem deles tanto necessita.

Atente-se nas mudanças que se fazem sentir em sala de aula: os manuais digitais são uma realidade nas escolas de Portugal, se bem que ainda como projeto-piloto. O passo

louvável, mas o procedimento merece assertividade e cautela. É aconselhável o equilíbrio entre o material digital (absolutamente imprescindível) e o físico. Paralelamente, a rede wi-fi deverá ser reestruturada, mormente bem reforçada nas escolas. Não é admissível que um professor prepare dois planos de aula com o mesmo objetivo, com receio de que à hora agendada, a internet possa não marcar presença.

A escola, enquanto microcosmos da sociedade, quer acompanhar a evolução e as mudanças que aí se têm vindo a operar, não admitindo ficar para trás, ultrapassada e algo obsoleta, sob pena de gerar desmotivação, barreiras face às expetativas e aos potenciais dos alunos, assegurando-lhes ambientes diversificados, dinâmicos e desafiantes, onde se aprende para a vida futura, inevitavelmente com o suporte a ferramentas o mais atuais possível proporcionadas pela Escola.

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