Espanha vai de novo a votos: Desgoverno ou o "ritual de lo habitual"

Já lá vão 29 anos que os rockers norte-americanos Jane"s Addiction lançaram o seu segundo álbum de estúdio, Ritual de lo habitual. O titulo do disco é a frase que primeiro me ocorre para simbolizar a quarta vez que os espanhóis vão a votos para escolher governo em quatro anos.

Pedro Sanchez vai dramatizar e tentar uma maioria absoluta, tentando imputar aos outros partidos a irresponsabilidade consumada, como lhe chama o editorial do El País.

É difícil dizer mas arrisco: creio que não o vai conseguir. O sistema político espanhol tem 5 partidos consolidados: PSOE, PP, Cuidadanos, Unidas Podemos e Vox uma vez que a formação nacionalista de Santiago Abascal, embora recente, já tem um peso razoável.

Mas havendo 5 partidos há fundamentalmente dois blocos - esquerda com socialistas e Podemos - e direita com PP, Cuidadanos e Vox, cada qual, - tudo somado - com um peso quase igual ao outro e que dificilmente vão roubar apoios ao outro lado do espectro.

São posições muito entrincheiradas; não há um conjunto significativo de eleitores que ora vote PP ora vote PSOE como aqui acontece mais facilmente entre PS e PSD. Espanha tem falta de centrão, com o que isso tem de positivo porque mais clarificador, como de negativo pela maior dificuldade dos dois grandes partidos tradicionais em conseguirem fazer pontes.

Na verdade, desde 2015 os partidos tradicionais foram perdendo apoios para os novos mas dentro do seu espaço ideológico: os descontentes do PSOE foram essencialmente para o Podemos, os do PP foram de forma ainda mais clara para os outros partidos à direita.

Espanha não tem um centro político e o PSOE de Sanchez não consegue fazer esse papel nem conseguiu chegar a um acordo à esquerda, o país vai para eleições a 10 de novembro.

E aí, creio que o eleitorado tenderá a penalizar quem não conseguiu negociar um acordo, isto é, desta vez, o bloco dos partidos à esquerda e portanto, resta saber até que ponto a direita (PP, Cuidadanos e Vox) consegue capitalizar à custa disso.

Concluindo, Espanha pode estar mais perto de uma viragem para uma maioria de direita do que de uma vitória socialista por maioria absoluta.

Sanchez bem pode dizer que tudo fez para conseguir formar uma maioria, que os outros é que não quiseram e lhe apresentaram condições inaceitáveis, mas nesta altura é sobretudo a ele que se cola o rótulo da incapacidade.

Stop, a primeira música do referido álbum dos Jane"s Addiction, poderia ser um recado para tentar travar o desgoverno que prossegue em Espanha, mas os dirigentes políticos não (se) conseguem ouvir.

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