Europa social sem cor nem partido político

Todos os caminhos vão dar ao Porto, onde ainda decorre a Cimeira Social. Este acontecimento poderá fazer história na União Europeia, já que, pela primeira vez, todas as instituições da Europa e parceiros sociais deverão estar empenhados na execução do Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais.

Na prática, trata-se de reafirmar a importância do Estado social. Para isso, viajaram até à Invicta 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia. Vieram até cá para selar o compromisso que, já em março, a Comissão Europeia tinha delineado: alcançar pelo menos 78% da população empregada, ter 60% dos trabalhadores a receber formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas do risco de pobreza e exclusão social, entre as quais estão milhares e milhares de crianças.

É por razões como estas que o Estado social ainda faz sentido e não deve ter cor nem partido político.

A pandemia do coronavírus mostrou-nos a todos como o papel do Estado pode ser importante em momentos críticos da civilização.

O primeiro-ministro, António Costa, acredita na importância deste "marco histórico". Já os trabalhadores europeus querem ver para crer e perceber exatamente em que é que tudo isto se traduz, na prática, em termos de proteção dos seus direitos.

No meio de todas as boas intenções é triste que, nos bastidores, se tenha ficado a saber que a versão do documento que suscitou desacordo tenha sido aquela que incluía a promoção da igualdade e da equidade de género para cada indivíduo. A retirada dessas palavras foi feita por insistência da Hungria e da Polónia.

Apesar deste episódio lamentável, alcançar um compromisso com esta amplitude é sinal de coesão e esperança para os países que realmente se unem nesta velha Europa. Agora só falta agir em conformidade com as palavras e com os atos escritos.

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