#EuropaProximaGeracao

Gostei muito do discurso do Estado da União feito pela Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

Um discurso que não fugiu aos temas difíceis e que foi acompanhado de uma visão cujo slogan é o título deste comentário. Um discurso que centrou o futuro da Europa nos seus valores e não esqueceu os desafios e a necessidade de navegar num mundo difícil. Um discurso que renovou o poder das ideias e que apresentou propostas de como as operacionalizar.

Em primeiro lugar, apresentou uma fotografia muito realista do desafio que a pandemia nos trouxe. A cada um de nós, aos nossos países e à União Europeia. Fê-lo sem escamotear que a pandemia está para durar e que temos de estar preparados. Uma das palavras mais usadas no seu discurso "fragilidade" demonstra bem os tempos difíceis em que vivemos.

Em segundo lugar, Ursula von der Leyden apresentou a visão da sua Comissão para a próxima década europeia: digital, verde e socialmente responsável. Mais ainda, a saúde e a prevenção dos efeitos de outra pandemia devem ser entendidas como fazendo parte da estratégia europeia.

A sua defesa para uma Década Digital pode muito bem ser aplicada a todos os desafios que a União Europeia enfrenta: "Temos que liderar no digital - senão teremos de seguir o caminho de outros, que estão a estabelecer esses padrões."

O discurso teve vários recados internos, mas o que mais me impressionou foi a parte reservada ao internacional. Foram focados vários países e questões, mas gostaria de destacar dois: Valores e a China.

Foi muito bom ouvir a Presidente da Comissão Europeia deixar bem claro que "estamos ao lado do povo bielorrusso" e que "seja em Hong Kong, Moscovo ou Minsk a Europa tem de tomar uma posição rápida e clara". O mote já tinha sido dado logo no início do seu discurso com uma referência a Andrei Sakharov. Uma figura extraordinária que "dá o nome" ao Prémio anual para a Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu.

Aliás, Ursula von der Leyden criticou a política externa russa. Chamou a atenção para o envenenamento de Alexei Navalny e para o "padrão russo demonstrado pela Geórgia, Ucrânia, Síria e Salisbury, e pela interferência em eleições pelo mundo fora."

E, em relação à tragédia humanitária no Mar Mediterrâneo a resposta foi inequívoca: "Salvar vidas no Mar não é opcional".

Mesmo numa relação difícil como é aquela que a União Europeia tem com a China, Ursula von der Leyen não se ficou por meias palavras: "parceria, competição e rivalidade". Há áreas onde a cooperação é importante como o ambiente, outras como a economia em que a China tem interesses concorrentes e outras nas quais Beijing é um "rival sistémico", reforçando uma expressão já usada anteriormente pela Comissão.

Em termos práticos, a China é uma ditadura e por isso nos antípodas dos valores que caracterizam a União Europeia: democracia liberal, direitos humanos e estado de direito. Mas Ursula von der Leyden foi mais longe e referiu Hong Kong e os uigures. E, em relação à Albânia e à Macedónia do Norte, enfatizou "que são parte da Europa e não apenas uma escala na Rota da Seda".

Devo confessar que foi a primeira vez que assisti com entusiasmo a um discurso do Estado da União Europeia. Ursula von der Leyden foi capaz de transmitir as suas ideias com alegria e com orgulho no modo de vida europeu. Começamos muito bem.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de