Francisco. Um olhar sobre a fome e as crianças

Estamos novamente a sentir o peso de um novo tempo COVID. Este fim de semana já se definiram novos perímetros de proteção e a atenção aos cuidados e medidas de proteção mantem-se como um tema prioritário que a todos convoca. Era tão bom que pudéssemos deixar de falar nisto ....

Esta semana decorreu em Roma a 42ª sessão da Conferência do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),

A propósito disto e dirigindo-se ao ministro polonês do Clima e Ambiente, Michal Kurtyka que preside aos trabalhos o Papa escreve pedindo à FAO e à Comunidade internacional em geral desenvolva todos os esforços necessários para "alcançar a autonomia alimentar, tanto através de novos modelos de desenvolvimento e consumo, quanto através de formas de organização comunitária que preservem os ecossistemas locais e a biodiversidade". Refere a propósito que enquanto "alguns semeiam tensões, confrontos e falsidades, nós, por outro lado, somos convidados a construir com paciência e determinação uma cultura de paz, que seja voltada para iniciativas que abracem todos os aspetos da vida humana e nos ajudem a rejeitar o vírus da indiferença", afirma Francisco. O que importa é, nas suas palavras, redesenhar "uma economia em escala humana, não apenas sujeita ao lucro, mas ancorada no bem comum, amiga da ética e respeitadora do meio ambiente" e sugere que "o desenvolvimento de uma economia circular, que garante recursos para todos, incluindo as gerações futuras, e promove o uso de energias renováveis, é vantajoso".

É certo que falamos do Papa das encíclicas Laudato Si e da Fratelli Tutti mas convenhamos que é uma notável abordagem. Se tiverem oportunidade não deixem de ler esta carta.

Também nesta semana o Conselho da União Europeia aprovou por unanimidade a recomendação que estabelece a Garantia Europeia para a Infância. Um novo quadro político abrangente da UE para garantir a proteção dos direitos de todas as crianças e garantir o acesso a serviços básicos para crianças vulneráveis.

Sabemos que as desigualdades e a exclusão nos primeiros anos da vida têm um impacto gigante na oportunidade das crianças poderem vir a ter sucesso mais tarde. Aprofundam-se as desigualdades, com a maior probabilidade de que abandonem a escola, e tenham menos hipóteses de encontrar empregos decentes mais tarde. Cria-se um ciclo de desvantagens que se torna uma inevitabilidade nas próximas gerações.

Esta aprovação pressupõe que «todos os Estados-membros garantam acesso a serviços essenciais para crianças em situação de risco, ou de privação material, ou em resultado de terem deficiência, ou sofrerem de problemas de saúde mental». Os "Estados-membros terão nove meses para apresentar um plano nacional para aplicação até 2030 e tirar do risco de pobreza cinco milhões de crianças em toda a EU". A Caritas entende que este número, 5 milhões em 18 milhões, não é suficientemente ambicioso, mas não podemos desvalorizar a importância dos pequenos passos.

Com o fim da Presidência portuguesa da EU multiplicam-se os eventos e estamos na reta final. Amanhã acontecerá no CCB uma conferência sobre "Homelessness", mas sobre isso falaremos oportunamente

Para hoje fica-me a ideia de que Todos temos de apostar em construir um amanhã que não descarte ninguém.

Fica um abraço confinado e os votos de um excelente domingo.

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