Fronteiras e liberdade

Na fronteira leste da Europa vive-se uma guerra que atenta contra a liberdade. Mais a oeste celebra-se amanhã a liberdade. Entre uma fronteira e outra, liberdade é uma palavra que se usa a propósito e despropósito de tudo e de nada.

Liberdade é justificação para tudo e muitas vezes para atentar contra ela. Lembro-me bem o que me ensinaram sempre .... "a tua liberdade termina na liberdade dos outros", infelizmente a noção dessa fronteira sempre foi difícil de medir e não há solidariedade que resolva isso.

Falamos de liberdade essencialmente quando as evidências da sua falta são óbvias, e sempre que isso acontece, a responsabilidade e a justiça são-lhe comummente associadas.

A relação que existe entre liberdade e responsabilidade moral é uma relação de complementaridade, pressupondo a existência de atores que estão ligados entre si.

Quase todas as crises têm a privação da liberdade como alarme. Mas liberdade, respeito, responsabilidade tem de começar por nós. Se esperamos dos outros aquilo que não estamos dispostos a fazer, ou se nos achamos no direito de fazer o que não reconhecemos que o outro possa fazer, não poderemos de facto estar a falar da essência e da verdade da liberdade.

A leste a guerra pela "libertação" justifica que se destrua um país, cidade a cidade, confinando as pessoas, que obrigadas a fugir, vivem um pesadelo de uma vida indigna e com condições sub-humanas ... É só o espelho de uma sociedade.

Por todo o mundo a Pandemia também foi cheia de alarmes. Porque as pessoas não podiam sair. Porque as pessoas não se podiam visitar, trabalhar, festejar... Porque a vacina foi obrigatória, porque a máscara era obrigatória ... Pois ... ERA... Agora está a deixar de ser... Mas agora todos ponderam se não será melhor continuar a usar ...

Assim somos ... Conscientes dos direitos da liberdade, muito zangados com as ofensas às nossas liberdades individuais e muito inconscientes das nossas obrigações para com a garantia dos direitos universais. Esta tendência de avaliar o Nosso direito como único, e a facilidade com que o isolamos da conjuntura do mundo em que vivemos e dos direitos outros, faz-nos perder a perspetiva, corrói a relação com os outros e naturalmente conduz ao conflito.

Neste mundo do imediato, comprometemos o futuro, perdemos a prospetiva, endeusamos os "achismos" e aprofundamos a nossa competência da crítica, da acusação, da procura do erro (dos outros), contra muitos "ismos" .... Tudo pela Liberdade? ... Não me parece. Nem pelo bem-estar. Nem pela paz. Nem pela solidariedade. Nem por nenhuma igualdade.

Eu confio que somos capazes de fazer melhor e acredito que uma Liberdade comum é um valor que vale a pena construir em relação, na proximidade e lá longe. Com justiça e para todos.

Este é o meu pensamento sobre Abril. Se quisermos construir com os olhos postos em todos, vamos conseguir.

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