Futebol, Equilíbrio e Renovação

A meia-final do Campeonato Europeu entre Itália e Espanha soube-me a uma final. O confronto entre a azzurra e La Roja, como são conhecidas, foi colossal. A minha segunda seleção, a Itália, venceu o jogo e volta a estar no Olimpo do futebol. Vi o jogo colada ao ecrã olhando para a experiência, para a juventude e todo o talento à solta naquele relvado. Desde logo, olhando para os mais novos temos vários jogadores especiais. Mas, o destaque, os holofotes vão todos para um miúdo de 18 anos de seu nome Pedri. Para quem acompanha religiosamente todos os jogos do Barcelona (como eu) não foi de todo surpresa. O treinador da seleção espanhola, Luís Enrique, deixou-lhe muitos elogios e sobretudo um que nos diz tudo o que precisamos de saber sobre Pedri: invocou um dos grandes "Don Andrés Iniesta".

Pois é, Iniesta. Olhando para estas duas seleções há craques para quem este será muito provavelmente o último Campeonato da Europa. Há vários, mas, em especial, dois italianos e um espanhol. Do lado de Itália, os dois centrais Giorgio Chiellini e Leonardo Bonucci. Dois centrais de classe mundial, muito complementares entre si e que fizeram escola e história na sua equipa ao lado de Andrea Barzagli (que, entretanto, já deixou estas andanças) e do guarda-redes Gianluigi, ou simplesmente Gigi, Buffon, que regressou ao seu primeiro clube, o Parma. Ao longo de tantos anos e com tantas memórias, obrigada a Chiellini e obrigada a Bonucci.

E do lado de Espanha? Bem, já falei de Iniesta e, portanto, a ligação a Sergio Busquets é umbilical. Para mim, o melhor médio defensivo da sua geração e parte integrante, fundamental, pilar daquele meio-campo com Xavi e Iniesta. Já não há muitas palavras para caracterizar, para elogiar este trio, que prova, sem sombra de dúvidas, que o futebol é arte e este meio-campo uma das suas obras-primas. Xavi foi o primeiro a sair, seguiu-se Iniesta e um dia sairá Busquets. Foi um grande treinador que melhor o definiu e não estou a falar do óbvio Guardiola, mas sim de Vicente del Bosque: "Olhamos para o jogo e não vemos Busquets. Olhamos para Busquets e vemos todo o jogo." A sua saída da seleção espanhola marcará o fim de uma era especial para o futebol como um todo, para o futebol mundial. Da minha parte, só lhe posso agradecer do coração por tudo.

Mas, olhando para Itália e Espanha vemos experiência e juventude. Duas seleções que se reinventaram através dos seus treinadores, Roberto Mancini e Luís Enrique, com projetos que darão muitos, muitos frutos. Saber gerir de forma equilibrada a experiência e a juventude nunca foi e não é fácil, pois implica escolhas e em alguns casos verdadeiros dilemas, mas é crucial. Há muitos ensinamentos que podemos retirar para a vida das empresas, das organizações e das instituições deste mundo que é o futebol, dentro e para lá dos relvados

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