Hoje é o primeiro dia do resto da segunda fase da emergência

Boa tarde. Hoje foi o primeiro dia da segunda fase do estado de emergência. Nesta newsletter, fique a saber tudo o que pode e não pode fazer daqui para a frente. Primeiro, vamos aos números do dia.

Os números mais recentes

A pandemia do novo coronavírus matou já 246 pessoas em Portugal. São mais 37 vítimas mortais nas últimas 24 horas, tendo aumentado também o número de contágios: 852 novos casos, elevando assim o total para 9.886. Em vigilância continuam 22.556 pessoas e 5.392 aguardam os resultados dos testes.

Na Europa, Espanha voltou a registar mais 932 mortes, elevando a contagem de vítimas mortais para 10.935. Em Itália são já 14.681 mortos. A Alemanha ultrapassou já os mil mortos.

Do lado de lá do atlântico, os EUA registam pior recorde mundial diário de mortes e contabilizam agora quase seis mil vítimas mortais,

Até agora, a Covid-19 já infetou mais de um milhão de pessoas e roubou a vida a mais de 54 mil.

O que se passa no terreno

Pressão na mola, que o pior ainda não passou. É esse o alerta das autoridades de saúde e é isso que demonstram os números da evolução da pandemia em Portugal.

É também isso que justifica o prolongamento do estado de emergência por mais duas semanas e as ações da PSP e da GNR, que começaram esta sexta-feira, ao meio-dia, ações de fiscalização com mais de 39 mil agentes na rua. Vá lá, fique em casa e espreite aqui onde para a polícia.

Até porque, se desobedecer, pode acontecer-lhe o que já aconteceu a 108 pessoas que foram detidas por não terem cumprido as ordens das autoridades. Ah, e a PSP vai passar a usar drones para fazer videovigilância durante o estado de emergência.

A Direção-Geral da Saúde decidiu que os doentes com cancro vão passar a ser testados à Covid-19, antes e durante os tratamentos. A Liga Portuguesa Contra o Cancro aplaude.

O que a política está a fazer...

A política está a fazer o que pode e o que não pode para tentar controlar este vírus. E, segundo dados da Universidade de Oxford, Portugal foi o país da Europa que tomou medidas mais rapidamente para travar a pandemia.

Marcelo Rebelo de Sousa falou ao país para explicar o prolongamento do estado de emergência e enumerou quatro fases desta luta contra a pandemia. A primeira parece ganha, diz o Presidente, mas ainda há muito por fazer.

O primeiro-ministro cumpriu o que prometeu e apertou ainda mais as regras para as próximas duas semanas, a pensar, sobretudo, no período da Páscoa. A Catarina Vasconcelos apontou tudo e explica-lhe aqui tudo o que pode e o que não pode fazer neste estado de emergência II.

Uma das medidas que o Governo decidiu tomar foi a de aliviar a pressão nas cadeias portuguesas. Há reclusos que vão ser libertados e a ministra da Justiça já tem uma ideia de quantos são.

Em Ovar, o cordão sanitário vai continuar, mas com algumas adaptações, muito pontuais, para não deitar tudo a perder.

...e como tudo isto mexe com a economia

Enquanto a Europa não se entende sobre as medidas a tomar para fazer face à catástrofe económica que se avizinha, Vítor Constâncio, ex-vice-governador do Banco Central Europeu, veio dar uma achega: que deve ser a Comissão Europeia a emitir coronabonds. António Costa, por outro lado, já deve ter percebido que isso nunca vai acontecer e já diz que a emissão de dívida conjunta não tem de ser um fetiche.

Uma coisa é certa: alguma coisa tem que ser feita e depressa. Um think-thank alemão estima que as principais economias europeias possam ter recessões que podem chegar aos 20%. Sim, leu bem. E todos os dias surgem novos setores a descrever um cenário negro. Desta vez foram os produtores de carne certificada a queixarem-se de falta de encomendas e a falar em calamidade.

E mais um festival foi cancelado: como era previsível, o Rock in Rio já não se vai realizar este ano.

Informações que lhe podem ser úteis

Ainda sem uma decisão sobre o regresso das aulas presenciais, o primeiro-ministro aponta 4 de maio como a data limite para esse regresso. Mas tudo está muito em aberto ainda.

Se está a ressacar por futebol, fique a saber que a Liga de Clubes já tem uma proposta de calendário para que os campeonatos possam ser terminados. Espreite aqui.

Se vive a norte e costuma andar de transportes públicos, tenha atenção às alterações de horários que a STCP introduz a partir de segunda-feira.

E se tem matas por limpar, fique a saber que o governo prolongou o prazo até 30 de abril.

Sugerimos ainda que...

Leia a reportagem da Catarina Vasconcelos sobre uma aldeia em Portugal onde a pandemia não entra, mas onde também não há nem internet nem possibilidade de ensino à distância. É um retrato do Portugal interior, desertificado e cada vez mais envelhecido.

Se quiser ficar a conhecer um pouco melhor o perfil das principais vítimas mortais da Covid-19 em Portugal, o Gonçalo Teles explica-lhe tudo.

E se lhe dissesse que, com apenas 28 euros, pode levar mais de 1.000 euros em jogos para casa e ainda está a ajudar no combate à Covid-19? Não é mentira de primeiro de abril, o Rui Tukayana tem a história toda aqui.

Para pensar um pouco, sugiro-lhe que ouça os "Sinais" do Fernando Alves: "Chamai-me velho, idoso é que não".

Para rir, que ouça o Bruno Nogueira sobre João Miguel Tavares em mais um "Tubo de Ensaio".

E para relaxar, que espreite a sugestão de leitura do João Melo, porque "Com os livros estamos mais próximos".

Esta newsletter termina com uma triste notícia: o mundo perdeu Bill Withers, cantor norte-americano que é ainda hoje uma referência do soul. Morreu aos 81 anos, não foi de Covid-19 e deixou-nos de "herança" vários temas que continuam a marcar gerações, como "Ain't no sunshine" ou "Lovely day".

É isso que lhe desejo, um "lovely day", apesar de tudo, e um óptimo fim de semana, dentro do possível. Eu regresso na pr​​​​​​óxima segunda.

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