Houve mesmo deputados a votar contra o salvamento de vidas?

Adolfo Mesquita Nunes defendeu, esta manhã, os eurodeputados do PSD e CDS-PP acusados de votar contra o salvamento de migrantes no Mar Mediterrâneo. No espaço de opinião que ocupa semanalmente na TSF, o centrista lembrou que também a esquerda votou contra as propostas para o salvamento de migrantes propostas pela direita.

Esta terça-feira, vários deputados dos partidos mais à esquerda no Parlamento Europeu divulgaram a informação de que Álvaro Amaro e Nuno Melo, eurodeputados do PSD e CDS respetivamente, chumbaram a proposta que instava os Estados-membros da União Europeia a reforçarem as operações de salvamento no Mediterrâneo e a encontrar uma solução estável para a distribuição dos migrantes socorridos no mar.

Na TSF, Adolfo Mesquita Nunes saiu em defesa dos eurodeputados e acusou a esquerda de usar notícias falsas para fazer combate político.

"Começa a surgir e a vulgarizar-se uma técnica dos partidos que apresentam projetos com títulos ou com propósitos aparentemente consensuais, mas que, na parte do preâmbulo ou na parte resolutiva, têm propostas que são incapazes de gerar um consenso", referiu o antigo vice-presidente do CDS. "O propósito é claro: é ver essa proposta chumbada, para que depois se possa vir dizer que foi chumbado o propósito", acusou.

Adolfo Mesquita Nunes diz que os eurodeputados em causa não votaram contra o salvamento de migrantes, mas sim contra uma proposta da esquerda para o modo como esse salvamento deve ser feito.

"Verdadeiramente, aquilo que está em causa não é o salvamento de migrantes - porque aí há um consenso largo entre quase todos os grupos do Parlamento Europeu -, o que há é divergências na forma como se resolvem os problemas: o tratamento a dar às ONGs; o que fazer com as redes de tráfico [humano] e a distinção entre refugiados e imigrantes", esclareceu.

O centrista lembra que também "a esquerda votou contra as propostas, com o mesmo propósito, apresentada pelos deputados da direita". "Com a diferença de que os deputados da direita não vieram chamar "assassinos" aos deputados da esquerda", atirou.

Para Adolfo Mesquita Nunes, há uma "obrigação", por parte dos deputados, "de não propagarem notícias que são falsas ou parciais", e, por parte da imprensa, de "verificar melhor e mais rapidamente este género de informações".

"Isto é uma tendência dos nossos parlamentos, sobretudo agora, com partidos que entram com muito poucos deputados - e, portanto, com pouca possibilidade de fazer um trabalho parlamentar muito extenso e complexo. E mais fácil apresentar este tipo de propostas e votos que são platónicos e ideológicos, que têm um único propósito de posicionamento político", afirmou.

"Como é que, havendo consenso sobre a necessidade de salvar as pessoas no Mediterrâneo, não se chega a uma proposta consensual para ser votada por todos?", questionou, finalmente o centrista. "Não se chega porque não é útil para o combate político que muitos partidos querem fazer."

Texto: Rita Carvalho Pereira

Atualizado às 12h30, com especificação dos partidos representados por ambos os eurodeputados

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