A Opinião

A crise voltará e a extrema-direita virá com ela

Daniel Oliveira acredita que, quando houver uma nova crise financeira, também Portugal será um alvo para a extrema-direita. Para o comentador, a aliança das esquerdas é a melhor resposta para essa ameaça.

No espaço de comentário que ocupa semanalmente na TSF, Daniel Oliveira defendeu que, com uma nova crise, a extrema-direita irá aparecer em Portugal e que a 'geringonça' é "o melhor antídoto" para evitar que tal aconteça.

O jornalista começa por abordar os protestos dos 'coletes amarelos' contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, em França. Daniel Oliveira considera que o facto de o presidente Emmanuel Macron estar a "colar" as manifestações à extrema-direita, está a ter resultados positivos para a mesma, com Marine Le Pen a "capitalizar com a revolta".

A situação francesa é contraposta com as realidades portuguesa e espanhola. "A tradição diz que em Espanha e Portugal não há extrema-direita", lembra Daniel Oliveira. "Só que a tradição já não é o que era", rebate.

O comentador dá como exemplo a força radical Vox, em Espanha, a quem as sondagens dão já entrada certa no congresso.

"Depois da crise financeira, nada se fez para corrigir o caminho para o abismo", alerta Daniel Oliveira. "Os pobres e a classe média pagaram faturas dos desvarios bancários e ficou tudo na mesma. A banca foi salva pelos contribuintes e regressou aos velhos hábitos."

"Os impostos continuam concentrados em quem trabalha, o poder financeiro continua a desmantelar o sistema produtivo, a destruir cidades, a ter políticos e eurocratas como reféns. O estado social continua ser desmantelado, destruindo as almofadas que garantiram décadas de paz", constata.

Na opinião de Daniel Oliveira, Portugal teve sorte. Teve sorte porque, a "alguma recuperação económica" aliou um "Governo ancorado à esquerda".

Mas o comentador não tem dúvidas: como é da natureza deste tempo, "outra crise virá". E, quando vier, "será indispensável um Governo com a prioridade na igualdade", o que, diz Daniel Oliviera, "não acontecerá nem com blocos centrais nem com maiorias absolutas".

"A 'geringonça' é o melhor antídoto que temos para que a tradição também não mude em Portugal. Porque, quando a crise vier, a extrema-direita aparecerá do nada, multiplicando por muito o pouco que hoje vale", concluiu.

Texto: Rita Carvalho Pereira

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